Polícia de Bebedouro investiga padre por pedofilia

A Polícia Civil de Bebedouro, na região de Ribeirão Preto, abriu inquérito para investigar a denúncia de atentado violento ao pudor e corrupção de menores, crimes que teriam sido praticados pelo padre Paulo Barbosa, de 41 anos. O padre atuava na paróquia do distrito de Botafogo, a cerca de oito quilômetros da cidade. Ele já não estaria mais ali, segundo informações obtidas pela reportagem do Estado. Em depoimento, em meados de fevereiro, o padre negou os crimes, mas vários adolescentes, vítimas ou testemunhas, além de um adulto, confirmaram a denúncia à polícia. O bispo Dom Antonio Fernando Brochini, da Diocese de Jaboticabal, responsável pela paróquia, não foi localizado nesta quinta para falar sobre o caso.A delegada Luciana Pinto Neto, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), de Bebedouro, recebeu, em 17 de janeiro, a denúncia do Conselho Tutelar da cidade de que o padre estaria se envolvendo sexualmente com adolescentes. Paulo Barbosa estaria no distrito nos últimos seis anos. Uma conselheira teria confirmado a história com os menores. A delegada passou a investigar a denúncia e um adolescente de 14 anos confirmou que o padre, na condição passiva, tinha praticado sexo oral com ele. Outro, de 16 anos, confirmou que manteve relação anal com o padre, este novamente na condição passiva. Esses casos íntimos teriam ocorrido isoladamente. Outros meninos foram ouvidos e confirmaram que o padre fazia brincadeiras sexuais com eles, em grupo. A maioria dos adolescentes era coroinha da paróquia."Não era uma relação de violência ou medo, pois os adolescentes freqüentavam a casa do padre, sozinhos ou em turmas", disse a delegada. O padre foi ouvido e negou tudo, mas sumiu do distrito. A delegada Luciana pediu a prorrogação do inquérito, por mais 30 dias, e aguarda a resposta da Justiça. "Acho que existe prova suficiente sobre os crimes, mas temos que fazer as últimas investigações", diz ela.Para reforçar a investigação policial, um adulto, hoje com 22 anos, foi flagrado por um menor mantendo relação sexual com o padre há cerca de um ano. Tanto a testemunha quanto o próprio adulto confirmaram o fato à polícia. E outros adolescentes também confirmaram ter visto o padre mantendo relações sexuais orais com outros menores. A delegada também ouviu relatos de que o padre teve problemas em outras cidades por onde passou e vai investigar. Numa cidade da região, por exemplo, não existe queixa formal, mas ela tentará levantar informações sobre supostas vítimas ou testemunhas.

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