Polícia de Cascavel tem suspeito de matar deputado

A Polícia de Cascavel, no oeste do Paraná, tem pelo menos um suspeito de ter matado o deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), de 33 anos.Ele foi executado na noite desta terça-feira, quando estava dentro do carro, em frente ao prédio onde morava, o Edifício Ille de France, próximo ao centro da cidade.O corpo do deputado, que estava na primeira legislatura, foi enterrado na tarde desta quarta-feira em Assis Chateaubriand, a 80 quilômetros de Cascavel.O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), determinou prioridade à Secretaria da Segurança Pública na investigação. Todas as solenidades em comemoração ao aniversário da emancipação política do Paraná foram canceladas, e o governador decretou luto oficial de três dias."É um crime que choca a todos nós e que precisa ser rapidamente esclarecido, com a prisão e punição do seu autor ou dos seus autores", disse Lerner.Dos vários tiros contra o Vectra ocupado pelo deputado, cinco acertaram seu corpo. A necropsia apurou que ele foi executado, recebendo tiros de pistola calibre 9 milímetros no tórax e, depois de caído, também nas costas.Testemunhas afirmaram que os disparos foram feitos por uma pessoa que estava em uma motocicleta, com capacete e roupas escuras. O deputado era solteiro, morava sozinho e deixou uma filha de 9 anos.A polícia não descarta nenhuma das hipóteses para a morte, mas as possibilidades de ser crime por vingança ou queima de arquivo são as mais fortes.O deputado tinha um programa policial em rádio e televisão, onde fazia muitas denúncias. Ele havia prometido para esta quarta-feira a revelação do nome de pessoas envolvidas no desaparecimento de cerca de US$ 950 mil, que teria ocorrido há 15 dias, nas proximidades de Ponta Grossa, quando o dinheiro era transportado em um carro-forte.Nesta quarta-feira à tarde, um motoboy, que se identificou como Gustavo, telefonou para o programa Tribuna na TV, apresentado pelo deputado estadual Ricardo Chab, em Curitiba, dizendo ter presenciado a morte de Novaes. Segundo ele, o crime teria sido cometido por um policial civil."Eu assisti ao crime, vi quando ele (o matador) saiu do carro, colocou o capacete, subiu na moto e, uma quadra para frente, atirou no Tiago", afirmou.O motoboy disse que estava entrando em contato com advogados para se dirigir à Polícia Civil. A polícia checou o telefone fornecido pelo motoboy ao deputado, mas era falso. O policial citado estava em uma confraternização em Guaíra.Está sob suspeita um motoqueiro que foi perseguido pela polícia após a morte do deputado e acidentou-se. Ele está internado e teria alegado à polícia que fugira por não ter os documentos da moto.A roupa vista pelo porteiro do edifício onde Novaes morava é semelhante à que estava sendo usada pelo rapaz que se acidentou. A Secretaria de Segurança Pública designou o delegado Alexandre Macorin de Lima, de Foz do Iguaçu, para presidir o inquérito, que será acompanhado também pelo diretor-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro.Deputados estaduais disseram hoje que Novaes vinha comentando, desde setembro, que estaria recebendo ameaças de morte.Além de ter sido membro da CPI do Narcotráfico, ele também fez uma revista chamada Tiago Contra as Drogas. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), descartou a possibilidade de crime político, mas, mesmo assim, pediu uma pesquisa em todos os arquivos das sessões desde agosto.Há informações extra-oficiais de que uma carta teria sido deixada na portaria do prédio. Ela foi entregue ao deputado pouco antes de ele ser morto. O carro, a carta e o celular dele serão periciados.Há informações também de que a placa da moto teria sido anotada, e a polícia já identificou o proprietário, mas não há confirmação, por enquanto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.