Polícia de Goiás investiga se padrasto matou enteada com explosivo

Joaquim Luiz, de 47 anos, foi encontrado acorrentado a uma árvore juntamente com Loanne Costa, de 19, em Pirenópolis

Marília Assunção, Especial para o Estado

19 Dezembro 2013 | 14h48

GOIÂNIA - A Polícia Civil de Goiás está próxima de desvendar as circunstâncias de duas mortes brutais, com uso de explosivo, que ocorreram esta semana na cidade histórica de Pirenópolis, polo turístico entre Goiânia e Brasília. O corpo da estudante de enfermagem Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos, foi encontrado na segunda-feira, 16, acorrentado a uma árvore junto ao padrasto, Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, no Morro do Frota, ponto de visitação ambiental da cidade.

Eles foram mortos, tudo indica, por uma explosão de dinamite colocada entre os abdomes, causando exposição de vísceras das vítimas. O delegado que investiga os homicídios, Rodrigo Luiz Jaime, fala em crime passional, tendo em Joaquim Luz o suspeito de matar Loanne e se matar depois.

Familiares e amigos da garota declararam, contudo, que não havia nenhum indício no sentido do que apura a polícia, a não ser o fato de Joaquim Luz proteger, controlar e ter ciúmes da enteada, com quem convivia há sete anos, desde que passou a morar com a mãe da jovem, Sandra Rodrigues da Silva, 37.

A mãe declarou que ela própria levou os dois ao morro, longe cerca de 4 quilômetros do centro de Pirenópolis, no domingo, porque Loanne queria fazer fotos na área verde. Ao voltar, ela não encontrou os dois e denunciou o sumiço. Os corpos foram localizados um dia depois.

Vários detalhes reforçam a tese da polícia de crime passional praticado por Joaquim Luz. Pedaços de corda e correntes coincidiam com os mesmos tipos encontrados na residência das vítimas, além de uma faca ter sido reconhecida. Ele também tinha acesso a explosivos, já que trabalhava em uma pedreira da região. E ainda teria comprado um colchão igual ao encontrado no morro, onde foi visto um dia antes do crime, e teria feito perguntas sobre cobertura de seguro de vida em caso de suicídio, quando adquiriu uma apólice para um filho, poucos dias antes das mortes.

Por outro lado, chama a atenção dos investigadores uma misteriosa carta enviada para Loanne em abril deste ano, após a jovem escapar com vida de uma agressão violenta por uma pessoa desconhecida. O agressor deu uma paulada na cabeça da estudante, que chegou a ser internada. Depois, ela recebeu o bilhete alusivo ao atentado e com ameaças de morte: "Como você tem sorte de não ter morrido", "o inferno te espera" e "seu dia chegará" são trechos da carta anônima. Uma ocorrência policial foi feita na época, mas o autor nunca foi descoberto. Exame grafotécnico está sendo realizado para definir se a carta foi escrita pelo padrasto. Também está sendo realizado exame para verificar se ela foi vítima de abuso sexual.

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