Polícia de PE prende mais três grupos de extermínio

Mais um grupo de extermínio foi preso pela Polícia Civil de Pernambuco nesta sexta-feira, 13. Ao todo, oito pessoas acusadas de participação no grupo que atuava em Garanhuns, no interior do estado, segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. De acordo com o assessor da Secretaria de Defesa Social, Joaquim Netto, esse não foi o único grupo de extermínio preso no Estado. Nos últimos sete dias, outros dois grupos foram desarticulados. O primeiro atuava no município de Igaraçu e é responsável por 30 mortes na região. De acordo com Joaquim Netto, as vítimas eram mortas por maridos, namorados, irmãos e outros parentes de mulheres, que tinham a função de atrair as vítimas para emboscadas. O segundo grupo, de acordo com Netto, era chamado de Thundercats e atuava na capital do estado, Recife. ?Eles funcionavam como as milícias, no Rio de Janeiro. Começavam a atuação como grupos de combate à criminalidade. Vendiam segurança nas ruas e em estabelecimentos comerciais de bairros da cidade e depois passavam a exterminar as vítimas?, disse Joaquim Netto. Nesse grupo, nove pessoas foram presas. Essas 26 pessoas presas, que integravam os três grupos de extermínio, somam-se às 29 presas na quinta-feira, 12, na Operação Aveloz, em Caruaru, também integrantes de grupos de extermínio. O delegado responsável pelas investigações da Operação Aveloz, Jorge Pontes, disse que, nesse caso, toda a quadrilha foi desarticulada. ?Os policiais presos estão no quartel e os civis estão em um presídio administrado pela penitenciária do estado?, acrescentou. Ele afirmou que as penas dos presos serão altas por contas de diversos agravantes. ?Os crimes vão se somando. Houve morte por motivo torpe e cruel?, acrescentou. O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), que integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, disse que o grupo desarticulado na Operação Aveloz já havia sido identificado pelos deputados. ?Esse grupo assassinou vários jovens, inclusive o presidente do PT em Caruaru em 2001?, afirmou. Ferro disse ainda que o grupo tinha vários núcleos no estado. ?Há uma malha imensa de crimes no interior?, disse. Participação de policiais Para o relator da CPI do Extermínio no Nordeste, deputado Luiz Couto (PT-PB), na maioria dos grupos há a participação de policiais civis e militares. Ele afirmou que é preciso enfrentar essa questão no Brasil. ?Eles estão implementado a pena de morte no país?. Segundo Luiz Couto, a CPI identificou 13 núcleos de extermínio só no estado de Pernambuco. ?Não se pode identificar se é um grupo só ou se são diversos, já que o modus operandi deles é o mesmo em todos?. Nos grupos, de acordo com o deputado, havia um mandante, um gerente que faz o trabalho em nome do mandante e os ?protetores? que trabalhavam para que os assassinos não fossem identificados ou para retardar ao máximo o processo judicial contra eles. ?Muitas vezes, não adianta só pegar os executores, é preciso pegar o fio de um lado e de outro do novelo. É isso que foi feito em Pernambuco?, ressaltou. Luiz Couto explicou que só uma ação articulada é eficiente no combate a esse tipo de crime. ?Às vezes, há um espaço vazio. A pessoa é executada em um estado e desovada em outro?.

Agencia Estado,

13 Abril 2007 | 13h03

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