Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Polícia de SP estuda ações e reforço de efetivo na divisa com o Rio

Entre as possibilidades em análise está o envio de homens da Tropa de Choque para auxiliar a área de São José dos Campos; a situação no RJ ainda preocupa ES e MG

Marcelo Godoy, Bruno Ribeiro, José Maria Tomazela, Renata Okumura e Luciana Almeida, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 17h51

SÃO PAULO - A polícia de São Paulo prepara ações para fazer frente à necessidade de se ampliar a presença de homens no Vale do Paraíba e no litoral norte, em razão da intervenção federal na segurança pública do Rio. A inteligência da polícia está preparando um relatório que deve ser apresentado amanhã sobre a movimentação de criminosos na divisa entre o Estado e o Rio. 

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Entre as possibilidades estudadas está o envio de homens da Tropa de Choque para reforçar o patrulhamento das duas regiões, ampliando o efetivo do Comando de Policiamento de Área do Interior-1, de São José dos Campos. A situação atual ainda preocupa Espírito Santo e Minas.

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Uma reunião com autoridades dos três Estados deve ocorrer nesta quinta-feira, 22. “Estamos em contato permanente com a inteligência dos outros Estados e é isso que a gente vai intensificar. O que a gente quer ter (com esse encontro) é a oportunidade efetivamente de tomar conhecimento de algumas ações que eles (governo federal) vão adotar, para que a gente possa ter um tipo de precaução maior, um tipo de ação a ser programada. A iniciativa partiu do Estado de Minas”, afirmou o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho.

As Polícias Militar e Rodoviária do Estado e a Polícia Rodoviária Federal (PRF)  já atuam na divisa entre São Paulo e o Rio de Janeiro para combater o crime interestadual. A polícia atribui os ataques a agências bancárias com explosivos nos limites paulistas, por exemplo, a grupos armados do Rio. Na quinta-feira, dia anterior ao anúncio da intervenção, 15 homens portando fuzis explodiram três agências bancárias no centro de Cunha, na divisa com o Estado fluminense. Na fuga, os criminosos incendiaram carros para interditar a Rodovia Cunha-Paraty. 

Desde a semana passada ocorrem bloqueios na Rodovia Presidente Dutra, próximo da cidade de Cunha, e na Rio-Santos, na divisa de Paraty com Ubatuba, em uma base da PRF. “E vai acontecer (blitze) diariamente, em períodos específicos, noturnos e diurnos, com grande visibilidade. Todos os veículos estão sendo vistoriados, com foco naqueles que têm placas de fora do litoral norte”, disse o tenente coronel César Eduardo Ferreira, comandante do 20.º Batalhão da Polícia Militar/Interior, com sede em Ubatuba. 

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Conforme o inspetor Marcelo de Lima, da PRF, a região pode transformar-se em rota para escoamento de armas e drogas após as ações no Rio. Segundo ele, a ação é uma medida local, mas já é reflexo da intervenção na segurança do Rio. “A preocupação é com uma possível migração de criminosos.”

Já o secretário Mágino Alves descartou, por enquanto, a possibilidade de deflagrar operações ou de fuga de criminosos para São Paulo. “Na instalação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio, fizemos monitoramento para saber se houve migração de criminosos para cá. E não houve.”

Espírito Santo 

Ainda na quarta-feira, 21, o secretário de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp/ES), André Garcia, garantiu que as Polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal vão monitorar 198 quilômetros de fronteiras do Estado capixaba com o Rio e Minas. Será a chamada Operação Divisa. Ao todo, serão montados oito pontos de bloqueio, mas somente um, que ficará na BR-101, foi divulgado. O total do reforço policial nesses pontos custará aos cofres públicos aproximadamente R$ 2,5 milhões. 

De acordo com Garcia, o monitoramento terá início nesta quinta e a previsão é de que os trabalhos sejam realizados por pelo menos dois meses e meio. Para garantir o monitoramento, serão utilizados, além das viaturas, três drones e helicópteros. O policiamento será realizado por 150 policiais, sendo 130 policiais militares e civis e 20 policiais rodoviários federais. “É um plano de prevenção, uma iniciativa que leva em consideração uma possibilidade eventual (de migração de criminosos).”

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública de Minas informou que “está preparada nas áreas de inteligência e operacional para possíveis reflexos da ação em nosso território de divisa”. “O comando da Polícia Militar, de maneira preventiva, já anunciou reforço de policiamento nas áreas limítrofes.”

Anistia critica uso do Exército contra o crime

Relatório da Anistia Internacional divulgado ontem mostra, entre as suas conclusões, que a atuação das Forças Armadas na segurança pública não ajuda na redução da violência nas grandes cidades. Mesmo com aumento das operações, os casos de mortes violentas bateram recorde no País, lembra a organização. “A atual intervenção no Rio me parece uma medida inadequada e extrema que coloca em risco os direitos humanos da população”, disse a diretora da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck.

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