Polícia desvenda assassinato de petista líder do MST

Os matadores da militante do PT e líder do Movimento Sem-Terra (MST) Benedita Felício dos Santos foram três ex-companheiros dela, que decidiram executá-la depois de terem sido descobertos vendendo lotes em assentamentos e cobrando "pedágio" dos assentados.Benedita, de São Paulo, atuava na região de Ferraz de Vasconcelos e havia sido candidata a vereadora, pelo PT, no município. Ela foi executada a tiros, no início do ano passado, num crime que causou comoção entre os sem-terra da região.Os três matadores foram presos no final do ano passado, mas só hoje, com o encerramento do inquérito policial, o setor de Investigações Especiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa Humana (DHPP) divulgou os nomes: Carlos Cesar Coutinho, Donizete Rocha Silva e Ademir da Silva.Os três chegaram a atuar, entre 99 e 2000, como guarda-costas de Benedita. "Eles não eram filiados ao MST, mas estavam sempre presentes nas invasões e nos assentamentos, e chegaram a ganhar a confiança pessoal da líder do movimento", lembra o delegado Ricardo Anaes. Ele afirma que os três conseguiram montar um mecanismo paralelo de extorsões dentro do MST. "Eles cobravam para selecionar aqueles que seriam contemplados com lotes, e criaram um rendoso comércio de lotes dentro do movimento", revela o delegado.Benedita foi executada porque descobriu as extorsões praticadas pelos três e decidiu denunciá-los e expulsá-los dos assentamentos. "Antes que a história se tornasse pública entre os sem-terra, eles decidiram matá-la", explica Anaes.

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