GABRIELA BILO / ESTADAO
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Polícia diz que fazendeiro e caseiro ajudavam Lázaro Barbosa a se esconder de buscas em Goiás

Homens foram presos, mas a Justiça concedeu liberdade provisória ao caseiro. Secretaria fala em ‘rede criminosa’ que supostamente apoia o fugitivo durantes buscas em Cocalzinho de Goiás. Operação já se estende por 17 dias

Isabel Cristina, Especial para o Estadão

25 de junho de 2021 | 21h52

GOIÂNIA - A força-tarefa da polícia que está buscando há 17 dias Lázaro Barbosa, apontado como autor de assassinatos no Distrito Federal, prendeu duas pessoas nesta quinta-feira, 24. Segundo os investigadores, os detidos são um fazendeiro e um caseiro suspeitos de ajudar Lázaro a se esconder da operação. 

O fazendeiro Elmir Caetano Evangelista e o caseiro Alain Reis dos Santos foram detidos e passaram por audiência de custódia nesta sexta-feira, 25, em Cocalzinho de Goiás, cidade onde a polícia concentra as buscas ao criminoso. A prisão de Evangelista foi convertida para preventiva, sem prazo para ser encerrada, e o caseiro foi posto em liberdade provisória. 

O secretário de Segurança Pública de Goiás e coordenador da operação, Rodney Miranda, disse em entrevista coletiva à imprensa logo após a prisão dos suspeitos, que eles chegaram a confessar a ajuda a Lázaro. 

"Prendemos duas pessoas que estavam auxiliando ele nas fugas, principalmente a se esconder da ação policial. Eles estão sendo autuados agora por porte ilegal de arma de fogo e por facilitação da fuga. Uma pessoa, testemunha, o viu (Lázaro) e depois, na entrevista que nós fizemos com os dois que estão sendo autuados, os dois confirmaram que ele estava realmente lá e que ele passou as últimas noites", afirma.

A polícia apreendeu armas e munições. Uma delas pode ter sido usada por Lázaro. "Uma das armas inclusive é a arma que foi vista, que ele furtou possivelmente em uma das residências, uma garrucha calibre 22, com 50 munições. Ele foi visto em algumas propriedades com essa garrucha na mão, com essa arma, uma espingardinha", disse o secretário.

A SSP acredita que há uma "rede criminosa" que apoia Lázaro, mas ressaltou que a força-tarefa está trabalhando com o objetivo de prendê-los. As equipes policiais continuam em operação para a captura de Lázaro Barbosa, com cerco reforçado em determinadas áreas da região.

Segundo nota de atualização da SSP, desta sexta-feira, 25, chegou ao conhecimento da força-tarefa uma carta que teria sido escrita por Lázaro. O material foi encaminhado para perícia e informações preliminares apontam que a caligrafia da carta não condiz com a do fugitivo.

Fazendeiro fica em silêncio durante depoimento; caseiro diz que Lázaro dormiu cinco noites no local

O fazendeiro ficou em silêncio em seu depoimento, já o caseiro disse à polícia que Lázaro chegou a dormir por cinco dias na fazenda onde ele trabalhava. Na manhã desta sexta, o advogado Ilvan Silva Barbosa negou que os presos tenham qualquer ligação com Lázaro. Porém, no período da tarde, declarou que faz a defesa apenas do fazendeiro.

O caseiro relatou que trabalhava no local há 21 dias e que recebeu ordens para que a polícia não entrasse na fazenda. "A partir de então, ouvia (Elmir) chamando por Lázaro no horário do almoço, informando que a comida estava pronta, inclusive percebeu que (Elmir) estava fazendo uma quantidade maior da refeição." Ele alega ainda que viu Lázaro na área da churrasqueira, mancando e, logo depois, foi para uma área de mata.

Os dois suspeitos respondem por favorecimento pessoal e posse de arma de fogo. O caseiro já tem passagem pela polícia por roubo a ônibus. A polícia encontrou espingardas e munições na propriedade. A força-tarefa para tentar prender Lázaro Barbosa já dura 17 dias.

O caseiro relata ainda que na quinta, teria visto Lázaro entrar correndo e se esconder em um cômodo da casa. "Lázaro então saiu do quarto e correu para o bambuzal e, em seguida, correu para o córrego onde tem o costume de ficar escondido", e completa: "O interrogado afirma que não avisou aos policiais que Lázaro estava escondido no quarto da sede da fazenda por ter sido ameaçado de morte”, contou.

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