Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Polícia diz que não descarta motivação passional na morte de casal de PMs

Ideia agora é focar na personalidade do sargento e da mulher; 27 testemunhas já foram ouvidas e os investigadores ainda pretendem registrar declarações de todos os policiais que estiveram na cena do crime

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2013 | 23h03

A Polícia Civil pretende traçar um perfil do casal de policiais militares mortos a tiros em uma chacina com cinco membros da mesma família na Brasilândia, zona norte de São Paulo, na semana passada. A intenção é analisar a convivência entre o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Luís Marcelo Pesseghini e a cabo Andréia Pesseghini, além da relação dos dois com o filho, Marcelo Eduardo Pesseghini, de 13 anos, o principal suspeito dos crimes até agora.

Apesar de o garoto ser apontado como o autor dos assassinatos, nenhuma hipótese de investigação, como vingança ou crime passional, foi descartada.

Desde o início do inquérito, a tese era de que, na madrugada do dia 5, o garoto matou a tiros o pai, a mãe, a avó e uma tia-avó. Depois, dirigiu até perto da escola onde estudava, esperou o dia amanhecer e assistiu à aula normalmente. Quando voltou para casa, teria cometido suicídio. A arma do crime foi encontrada em sua mão.

Agora, a polícia quer ampliar as linhas de investigação e focar na personalidade do casal de PMs, o que inclui ouvir colegas de trabalho e amigos civis. O Instituto de Criminalística (IC) vai levantar as ligações dos celulares dos pais de Marcelo e do restante da família. Um computador e um tablet apreendidos na casa serão analisados.

Até a terça-feira, 13, já haviam sido ouvidas 27 testemunhas. Sandra Feitosa, prima da cabo morta, acompanhou a mãe, tia da vítima, para ser ouvida no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Sandra disse que sua mãe foi convocada para dizer como os demais familiares ficaram sabendo da chacina. "A gente não consegue acreditar. Não vejo como uma criança pode ter feito isso, um jovem", afirmou Sandra na saída do DHPP.

Na tarde dessa terça, a polícia também tomou o depoimento de uma diretora do Colégio Stella Rodrigues, onde Marcelo estudava, e de um colega de classe do garoto. Segundo o delegado do caso, Itagiba Franco, as duas testemunhas compareceram ao DHPP por volta das 14h. Elas foram ouvidas até as 20h.

Segundo Franco, a polícia ainda deverá procurar uma vizinha da família que disse ter visto duas pessoas - entre elas um PM fardado - na residência das vítimas na tarde em que os crimes foram descobertos.

O número de testemunhas ainda pode crescer, uma vez que a polícia deverá chamar todos os cerca de 30 policiais que estiveram na cena do crime logo após a chacina para depor. Para a polícia, há sinais de que o local não foi preservado corretamente.

Corpos. Uma das mais importantes provas para desvendar como aconteceram as cinco mortes é o laudo do exame nos corpos das vítimas. A polícia já levantou dúvidas sobre um indício de que haveria uma diferença de dez horas entre o assassinato do pai e da mãe.

A divergência no resultado da perícia nos corpos, segundo as investigações, poderia ter sido causada pela sequência de exames entre as vítimas - o pai teria sido analisado primeiro, em um intervalo de dez horas em relação à mãe.

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