Polícia diz que tiro contra Sendas não foi acidental

Segundo laudo, vítima estava em posição de defesa; Grupo manterá pai de acusado como funcionário

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

A polícia do Rio descarta a hipótese de o empresário Arthur Sendas ter sido morto por disparo acidental e afirma que as provas apontam para uma execução premeditada pelo motorista da família Roberto Costa Júnior, de 28 anos. Segundo o delegado adjunto da 14ª DP, Rafael Menezes, o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) mostra que a vítima estava em posição de defesa e o tiro foi a curta distância. O depoimento de uma empregada indica que não houve discussão entre os dois. "Os fatos e o laudo apontam para um crime intencional. Ele foi armado até a casa do empresário sem ter o porte de arma", disse. O laudo atesta que o empresário perdeu o dedo indicador esquerdo ao tentar proteger o rosto do projétil que entrou pelo olho esquerdo e saiu pela nuca. Menezes informou que o inquérito está "praticamente" concluído. Os investigadores tentam precisar o tempo exato de permanência do motorista no prédio, pois as diferentes câmeras de vigilância mostram horários diversos para entrada e saída. Costa Júnior será indiciado sob acusação de homicídio doloso qualificado por motivo fútil, com pena prevista de até 30 anos de prisão. O motorista foi transferido ontem para a carceragem da Polinter, na Pavuna. Orientado pelo advogado Antônio Félix, afirmou que falará apenas em juízo. O advogado informou que pretende entrar com pedido de habeas corpus em duas semanas e a defesa sustentará que o disparo foi acidental e ocorreu durante uma discussão. O porta-voz do Grupo Sendas, Paulo de Castro, disse que o pai do acusado continuará trabalhando "firme e forte" para a família. "O que o filho fez foi problema do filho. É uma coisa à parte, que agora está com a Justiça", declarou. Roberto Costa é motorista da família há mais de 20 anos. Ele comprava remédios e "cuidava" de Arthur, disse Castro. "Ontem (anteontem), passou o dia choroso, recebendo o carinho, o aconchego da família." Pela manhã, o velório lotou a Igreja de São Judas Tadeu. Chegaram 280 coroas de flores, e Agnaldo Timóteo cantou Nossa Senhora, de Roberto e Erasmo Carlos. Centenas de pessoas estiveram no Cemitério São João Batista, principalmente funcionários do Grupo Sendas. "Falei pessoalmente com ele (Arthur) cinco vezes. Sempre tratou bem os funcionários. Era um pai para todo mundo", disse Gil de Almeida, de 27 anos, que trabalha para o grupo desde os 14. COLABOROU FELIPE WERNECK

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