Polícia diz que traficante confessou participação na morte de jornalista

O chefe da Polícia Civil, delegado Zaqueu Teixeira, disse hoje que o traficante Renato de Souza Paula, o Ratinho, de 31 anos, preso segunda-feira, confessou informalmente a policiais que participou da tortura e morte do jornalista Tim Lopes, no Complexo do Alemão, em junho passado. Segundo um dos policiais que o prenderam, Ratinho disse que odiava o repórter, que o teria prejudicado ao veicular sua imagem, na matéria ?Feirão das Drogas?. ?Ele merecia morrer duas vezes?, disse a policiais. Na delegacia, o traficante se recusou a prestar depoimento.Ratinho disse a policiais que estava com Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, quando ele recebeu um telefonema, informando que um homem havia sido capturado no baile funk da Vila do Cruzeiro e dizia ser jornalista. Era Lopes, que foi colocado no porta-malas de um carro e levado até a Grota, onde estavam Ratinho e Maluco.Ratinho disse ter reconhecido Tim Lopes no momento em que ele foi retirado do carro. Elias teria autorizado que Ratinho iniciasse as torturas. Também teria sido o traficante preso que disparou o tiro de misericórdia contra a cabeça do jornalista. Segundo o chefe da polícia, Ratinho também teria fornecido pistas sobre o paradeiro de Elias Maluco.Nada do que ele contou, no entanto, consta do depoimento formal prestado ao delegado Milton Siqueira Júnior. Oficialmente, ele disse que falará sobre o caso somente em juízo - um direito assegurado pela lei brasileira.O advogado de Ratinho, Paulo Cuzzuol, negou que o cliente tenha confessado o crime. Mas Teixeira insistiu. ?Ele (Ratinho) participou das sessões de tortura, contou com detalhes como foi sua participação. Essa prisão vai permitir que se avance sobre o Elias Maluco, porque ele (Ratinho) nos passou informações valiosas sobre onde ele está. Estamos fechando o cerco?, afirmou.O chefe de Polícia disse que, apesar de Ratinho não ter prestado depoimento formal, as informações passadas por ele podem ser usadas em juízo. Segundo Teixeira, os policiais que ouviram a confissão podem ser usados como testemunhas.Ratinho foi preso quando estava em casa, na favela da Grota. Ele assistia a um filme pornográfico com a namorada e uma amiga. O traficante não reagiu à prisão. Ratinho está no presídio de segurança máxima Bangu 1. Ele já esteve preso na Casa de Custódia Jorge Santana, depois que foi denunciado na matéria ?Feirão das Drogas?, mas fugiu pela porta da frente.

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