Polícia diz ter estourado central telefônica usada por Elias Maluco

A polícia estourou uma central telefônica clandestina na Favela da Grota, que estaria a serviço do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, único dos nove acusados pelo assassinato do jornalista Tim Lopes ainda em liberdade. Segundo investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que descobriram o esquema, a central encobria as ligações do traficante e dificultava o rastreamento telefônico feito pela polícia. O dono dos equipamentos Antônio Brás, de 41 anos, foi preso.A central telefônica funcionava num sobrado da Rua Joaquim de Queiroz, número 44, na Favela da Grota, local em que Tim Lopes gravou a reportagem "Feirão das Drogas" e, meses depois, foi morto. No local, a polícia encontrou ainda uma distribuidora clandestina de sinal de tevê a cabo. De acordo com a chefe do setor de investigações da DRE, Marina Maggessi, ainda não havia sido apreendida uma central daquele porte no Rio. "Derrubamos a última grande muralha que ainda nos separava do Elias Maluco", afirmou.O dono da central negou que estivesse a serviço dos traficantes. Ele contou que tinha seis linhas da Telemar e "puxava" 34 ramais para atender a moradores e comerciantes da Grota. Cada cliente pagaria R$ 33 mensais de manutenção, mais a conta. Antônio Brás disse que ainda está pagando os R$ 16 mil referentes aos computadores e que só montou a central porque as operadoras de telefonia se recusam a instalar linhas na favela.O chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, disse que as investigações em torno de Elias Maluco eram dificultadas pela tecnologia usada na central, que desviava as ligações do traficante, inclusive para telefones clonados. Ele não quis detalhar o mecanismo usado pelo criminoso. Teixeira informou que a memória dos computadores será analisada, para saber se há ligações para os números que a polícia já sabem que pertencem a Elias Maluco.Durante a operação, policiais apreenderam 2.600 papelotes de cocaína e 1.325 de maconha. A droga ainda seria distribuída. Alguns envelopes de cocaína traziam a inscrição "Diamante Bruto", e eram vendidos a R$ 150. Todos tinham o carimbo "vem cheirar o pó bom da Grota".

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