Polícia diz ter identificado assassinos dos jovens da Providência

Delegado Ricardo Dominguez disse que capitão do Exército sabia que ordem de liberar vítimas seria desacatada

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 19h21

O diretor de Polícia Civil, Sérgio Caldas, informou nesta terça-feira, 24, que já possui a identificação dos traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi, na zona norte, que torturaram e assassinaram os jovens do Morro da Providência entregues a eles por militares no dia 14. Segundo ele, com a transferência do inquérito para a Justiça Federal, a Polícia Federal pode assumir as investigações. O delegado-titular da 4ª Delegacia de Polícia, Ricardo Dominguez, adota um tom mais cauteloso para falar sobre a identificação dos assassinos. "Temos que ser cuidadosos. O fato de o criminoso estar envolvido com o tráfico não significa que ele teve participação nesta barbárie. É preciso ter certeza sobre os autores do crime", declarou Dominguez. Ele não quis revelar se pediu aos militares que fizessem um retrato falado dos criminosos.   Veja também: Com obras embargadas, Exército deixa Morro da Providência Justiça Eleitoral embarga obras no Morro da Providência Crivela lamenta 'contaminação política' de obras na Providência Assassinos de jovens podem ter deixado morro Em carta, militares culpam tenente por crime Opine: o Exército pode cuidar da segurança pública?     O delegado também causou surpresa ao revelar que o capitão Laerte Ferrari sabia que o tenente Vinicius Ghidetti iria desacatar a ordem de liberar os três jovens do Morro da Providência. "Os depoimentos mostram que parte da guarnição presenciou a ordem do capitão para que ele liberasse os rapazes e a resposta do tenente, que teria dito: vou dar uma volta, depois libero". A declaração aconteceu na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa onde estavam uma mãe e uma avó das vítimas.   Questionado pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) porque não indiciou o capitão, o delegado justificou que o oficial cometeu uma infração contra o Código Penal Militar e não teve participação na morte. "O capitão mandou liberar (os jovens). Ele pode ter descumprido o código militar, mas não podemos avançar no sentido da participação dele do crime. Pelo que sei, no âmbito da Justiça Militar ele foi indiciado por prevaricação e outro crime", disse o delegado. A assessoria de comunicação do Comando Militar do Leste informou que o Código Penal Militar determina que os inquéritos são sigilosos e não informará se houve o indiciamento do oficial ou não.   Ao final da audiência, as mães das vítimas receberam garantias dos deputados que suas famílias teriam apoio psicológico imediato. Além disso, os parlamentares prometeram pedir ao governo federal a inclusão das famílias no Programa de Proteção à Testemunhas e negociar com a bancada fluminense no Congresso Nacional o envio de um projeto de lei para indenização das vítimas.

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