Polícia diz ter pista de assassino de ex-ministro

Delegada promete efetuar prisão do principal suspeito muito em breve; laudo do IML revela total de 72 facadas contra as três vítimas

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

02 de setembro de 2009 | 00h00

A Polícia Civil já tem pista concreta sobre quem assassinou o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e advogado de Fernando Collor de Mello no processo de impeachment, em 1992, José Guilherme Villela, sua mulher, Maria, e a empregada Francisca. A delegada Martha Vargas promete efetuar a prisão do principal suspeito muito em breve. Há fortes indícios de que o crime tenha sido cometido por alguém ligado à família, ou com acesso direto ou indireto ao imóvel, que não tinha sinais de arrombamento. As primeiras pistas indicam que mais de uma pessoa tenha participado do triplo homicídio. Conforme laudo preliminar divulgado ontem pelo Instituto Médico-Legal de Brasília (IML), os três foram mortos com 72 facadas na noite de sexta-feira. O crime chocou pela brutalidade. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, pediu agilidade nas investigações. Os corpos foram encontrados pela neta do casal, Carol, na noite de anteontem, no apartamento em que moravam, na Asa Sul, em estado de decomposição. Como o imóvel não tem sinais de arrombamento, nem de que a porta tenha sido forçada, cresceu a hipótese de que o assassino seja alguém conhecido e de que a porta tenha sido aberta por alguém da casa, provavelmente Francisca. A perícia constatou, pela posição dos corpos e outros vestígios, que ela foi a primeira a morrer. Ao todo foram desferidas 22 facadas em Francisca, pelas costas. A seguir foi morto Villela, com 38 golpes no estômago, nas costas e outras partes do corpo. Última a morrer, Maria foi abatida com 12 facadas. Os vizinhos alegam em depoimento que não ouviram gritos de socorro.Os bandidos levaram joias, dólares (valor não estimado) e objetos de valor modesto. O valor do roubo não foi calculado, mas não deve ser muito superior a R$ 10 mil. O porteiro não viu quem entrou no horário presumido do crime nem percebeu ninguém sair manchado de sangue ou em atitude suspeita na noite daquela sexta-feira. Coincidência ou não, a tranca da porta de vidro da portaria de acesso ao bloco estava com defeito havia uma semana.Por falta de uma linha segura, a polícia não está descartando nenhum indício.

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