Polícia do DF indicia Nenê Constantino por homicídio

Sócio da Gol é acusado de mandar matar líder comunitário em 2001

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

O empresário Nenê Constantino, sócio da empresa aérea Gol, foi indiciado pela Polícia Civil do Distrito Federal como mandante do assassinato do líder comunitário Márcio Leonardo de Sousa Brito, ocorrido em outubro de 2001. Estão também indiciados dois ex-empregados de Nenê, como supostos intermediários do crime. São eles João Alcides Miranda e Vanderlei Batista Silva, hoje vereador em Amaralina (GO).Eles teriam contratado o pistoleiro, que nem sequer foi identificado até agora. A polícia também não encontrou a arma do crime. Em nota, Nenê disse que repele "de forma veemente" o que chamou de "injusta e inverídica acusação". O empresário garante que o inquérito não contém nenhum indício que possa sustentar "a absurda conclusão a que chegou a autoridade policial". Ele diz também que vai demonstrar sua inocência, "de uma forma incontroversa". Brito foi executado com três tiros de revólver na porta de casa. A polícia não tem dúvidas de que o empresário está por trás do crime. As investigações revelam que a vítima comandava a resistência à desocupação de uma área pertencente à Viação Planeta, do grupo Constantino, e já havia sofrido várias ameaças tanto do empresário como de seus supostos emissários. Nenê movia ação de despejo contra o grupo, que tinha cerca de cem moradores e ocupava a área desde 1990, mas só conseguiu o intento após a morte de Brito. No dia seguinte ao crime, funcionários da empresa acompanharam a desocupação de todos os barracos. "Eles pagavam R$ 500 a cada família que saía e imediatamente demoliam o barraco", relatou a delegada Mabel Corrêa, encarregada do inquérito. Ela não tem dúvidas de que Nenê foi o mandante do crime. "As circunstâncias são conhecidas e fartamente comprovadas com testemunhos porque o empresário fez ameaças diretas, à luz do dia, agrediu pessoas e era o maior beneficiário do assassinato", disse Mabel.SEM PRESSÕESNa época, Brasília era governada por Joaquim Roriz (PMDB), velho amigo e aliado do empresário. Roriz renunciou ao mandato de senador em 2007, no momento em que era investigado por causa da partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões de Nenê, no curso da chamada Operação Aquarela. A delegada nega, porém, que a ligação entre os dois tenha levado a polícia a investigar o caso. "Nunca sofremos pressão do governo estabelecido para fazer ou deixar de fazer algum ato", acrescentou Mabel.

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