Wilson Pedrosa/Estadão
Wilson Pedrosa/Estadão

Polícia do DF investiga desaparecimento de bebê de 12 dias de hospital

Sumiço aconteceu no fim da manhã desta terça e um retrato falado da principal suspeita foi elaborado a partir de informações de uma testemunha. Câmeras do local não estavam em funcionamento

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 22h39

BRASÍLIA - A Divisão de Repressão de Sequestros do Distrito Federal investiga o desaparecimento de um bebê de 12 dias que estava internado no Hospital Regional da Asa Norte. O sumiço ocorreu no fim da manhã desta terça, 6. A mãe do bebê, uma mulher de 19 anos, ausentou-se por minutos da enfermaria onde a criança estava alojada. Quando retornou, o berço estava vazio. O diretor do HRAN, José Adorno, afirma que a ação ocorreu em poucos minutos.

O bebê deveria receber alta nesta quarta. Uma enfermeira notou o desaparecimento quando foi até o quarto para retirar um equipamento que permitia a administração de medicamentos na veia da criança. Neste momento, a mãe também retornou para o quarto.

O diretor informou que mãe e bebê dividiam o quarto com outra mulher que igualmente acompanhava seu filho, também recém-nascido. Esta paciente é considerada como a principal testemunha. Ela já foi ouvida por policiais.

Um retrato falado foi feito da principal suspeita do crime. De acordo com relatos, seria uma mulher loira, que ingressou no hospital com duas bolsas. Adorno informou que todos os registros de entrada de pessoas no hospital já foram repassados para investigadores.

O desaparecimento ocorreu no segundo andar do hospital, referência em Brasília e que conta atualmente com 342 leitos. Adorno afirma haver um número suficiente de vigilantes. No andar onde o desaparecimento ocorreu, câmeras estão instaladas, mas não estão em operação. Adorno afirmou que o Tribunal de Contas do Distrito Federal anulou um contrato com a empresa responsável por fazer a gravação das imagens. Um outro processo licitatório está em curso. Enquanto isso, imagens não são gravadas.

A mãe da criança está sendo acompanhada pela equipe de psicólogos do hospital. A sogra e cunhada estão em sua companhia.

Pedrinho. O desaparecimento ocorre 31 anos depois do Caso Pedrinho, que se tornou nacionalmente conhecido e inspirou uma novela. Em 1986, Pedro Braule Pinto foi sequestrado na maternidade do Hospital Santa Lúcia por Vilma Martins Costa. Disfarçada de enfermeira, ela retirou o bebê, que havia nascido horas antes, do berço instalado no mesmo quarto onde a mãe repousava do parto.

Antes do crime, Vilma havia simulado gravidez. Seu plano era tentar forçar o companheiro, Osvaldo Borges, a casar-se com ela. A estratégia deu certo. Até os 16 anos, Pedrinho viveu com Vilma e o então marido na cidade de Goiânia. O caso somente começou a ser desvendado em 2002, depois de denúncias. Comprovado o crime, o menino passou a morar com pais biológicos em 2003, em Brasília. Vilma foi condenada e presa. Pedro hoje é advogado, casou-se, mora em Brasília e compõe a banca de defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.