Polícia do DF prende aliado de pré-candidato petista

Polícia do DF prende aliado de pré-candidato petista

Após a crise que derrubou o ex-governador José Roberto Arruda, a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou ontem operação com potencial para desarrumar ainda mais o já complicado tabuleiro político local. A Operação Shaolin, que levou à prisão cinco pessoas, teve como alvo duas organizações não-governamentais que receberam R$ 2,9 milhões do Programa Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes. Até 2006, a pasta era comandada por Agnelo Queiroz, pré-candidato do PT ao governo do DF.

Rodrigo Rangel, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2010 | 00h00

Dirigente das duas ONGs investigadas, o policial militar João Dias Ferreira, um dos presos ontem, foi candidato a deputado em 2006 pelo PCdoB, partido ao qual Agnelo era filiado à época.

Ao Estado, o delegado Giancarlos Zuliani admitiu que apura suspeita de que o esquema tenha servido para financiar campanhas eleitorais. Mas afirmou que esses dados estão sob sigilo.

A Polícia Civil nega que a operação tenha por objetivo atingir a possível candidatura de Agnelo. Na sucessão de denúncias contra o governo do DF, ela foi acusada de agir em favor do então governador, José Roberto Arruda, preso desde 11 de fevereiro na Polícia Federal. Em depoimentos à PF e ao Ministério Público, delegados afirmaram ter sido pressionados a impedir investigações contra aliados de Arruda.

Com a operação de ontem, a Polícia Civil diz ter descoberto fortes indícios da existência de uma rede de ONGs, com ligações partidárias, criadas para desviar dinheiro de convênios com o governo federal. Contratos de quatro entidades já foram mapeados. Uma delas possui convênio também com o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Só a Federação Brasiliense de Kung Fu e a Associação João Dias de Kung Fu, as duas ONGs dirigidas pelo policial João Dias Ferreira, receberam R$ 2,9 milhões do Ministério dos Esportes, por meio de dois convênios.

O primeiro data de julho de 2005, quando Agnelo estava no ministério. O outro foi assinado em outubro de 2006, após ele entregar o posto para Orlando Silva (PC doB). Agnelo trocou o PC do B pelo PT em julho de 2008 e, há duas semanas, venceu as prévias em que os petistas escolheram seu candidato ao governo.

Do valor repassado pelo ministério às duas ONGs, a Polícia Civil diz ter detectado o desvio de R$ 1,9 milhão. Parte do dinheiro teria sido usada por Ferreira para construir uma casa e duas academias de ginástica. Os bens do policial foram sequestrados por ordem judicial. A investigação começou em julho de 2008.

Na operação de ontem, foram presos um assessor e um suposto "laranja" de Ferreira, o administrador das Ongs e o responsável pela empresa que fornecia notas incluídas na prestação de contas apresentada ao ministério.

Até o fechamento da edição, Agnelo Queiroz não deu resposta aos telefonemas do Estado. Os advogados dos presos não foram localizados.

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