Polícia do ES procura chefes do crime organizado

Várias pessoas ligadas ao crime organizado deverão ser presas no Espírito Santo nas próximas horas. A informação - do secretário Nacional dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro - foi divulgada na noite de sexta-feira pelo Ministério da Justiça. Segundo o secretário, a polícia já tem os mandados de prisão, mas os nomes não podem ser divulgados. "Os chefes do crime organizado não perdem por esperar", disse o secretário.Entre os investigados pela missão especial estão empresários e pessoas que tiveram seus nomes usados num esquema para sonegar impostos. A Justiça Federal já autorizou a quebra de sigilos bancários de 80 pessoas e empresas. Nos documentos apreendidos em várias empresas, no início desta semana, foram detectados crimes de formação de quadrilha, estelionato, agiotagem, contra o sistema financeiro, fraudes em licitações públicas e sonegação fiscal.Até agora, sete pessoas já foram presas pela missão especial, entre elas cinco policiais militares por envolvimento em receptação de carros roubados. Os outros três nomes estão sendo mantidos em sigilo. A Polícia Federal também já apreendeu R$ 1,5 milhão em dinheiro e cheques, armas de uso restrito das Forças Armadas e munição em um cofre de uma das empresas investigadas. O nome da empresa não foi revelado. As prisões não foram confirmadas pela Polícia Federal e pelos procuradores que integram a missão de combate ao crime organizado no Estado.O arcebispo de Vitória, Dom Silvestre Scandian, disse ontem que a única surpresa em relação às investigações da missão especial é um cemitério clandestino, na Serra, região da Grande Vitória, que apresenta maior índice de criminalidade. Nesta semana, policiais federais acamparam no local e realizaram escavações, mas não divulgaram se encontraram cadáveres."Não sabíamos que ainda existiam cemitérios clandestinos. Encontrávamos isso há dez anos, quando havia atuação do Esquadrão da Morte. Sabíamos que a corrupção e o crime organizado estavam infiltrados nestes poderes. Ficaríamos surpreendidos e decepcionados se não conseguissem provar nada", afirmou Scandian.Reunido ontem com Padre Agostinho e o vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo, representantes da Fundação Teotônio Vilela, e representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública e do Ministério da Justiça, Scandian ressaltou que o crime está sendo apurado com seriedade no Estado.Ontem, o secretário Nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente da Silva Filho, disse que o Espírito Santo terá prioridade para receber recursos do Plano Nacional de Segurança Pública. Ele não falou em valores nem quando esses recursos chegariam ao Estado. "Estamos verificando a possibilidade de alocação de recursos para também pagar esses policiais em regime de horas-extras. Esperamos ter mais policiais nas ruas, principalmente nas áreas críticas", disse.

Agencia Estado,

31 de agosto de 2002 | 13h33

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