Polícia do Pará investiga suspeitos de matar extrativistas

Secretário de Segurança Pública acompanha o caso; casal foi asassinado em emboscada na 3ª

Yáskara Cavalcante, especial para o Estado

25 de maio de 2011 | 19h40

A força policial que está investigando a execução do casal de extrativistas Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva está buscando pistas que levem aos seus assassinos, visitando parentes e amigos das vitimas que poderiam ter algum nome relacionado ao crime. Informações extraoficiais dão conta que alguns nomes já surgiram, mas as autoridades preferem manter silêncio, para não alertar os possíveis culpados.

 

O secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes Rocha, passou toda a quarta-feira acompanhando os trabalhos de investigação pelo assassinato do casal de líderes extrativistas, no município de Nova Ipixuna, no sudeste paraense.

 

O secretário chegou ao local do crime na noite de terça-feira, horas após o assassinato. Ele foi acompanhado do Delegado Geral adjunto do Pará, Rilmar Firmino, Luiz Fernandes, esteve na Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá, cidade mais próxima à área do Projeto de Assentamento Agroextrativista Praialta-Piranheira, na comunidade de Maçaranduba 2, onde uma emboscada levou à morte o casal de extrativistas, e se reuniu com as equipes que já atuam nas investigações.

 

"Assim que cheguei à Marabá, fui até a delegacia. Também estive na casa da família das vítimas, que está muito chocada, eu diria até dispersas em colaborar com as investigações. Mas, vimos que os familiares têm absoluta certeza de que vamos chegar aos culpados", disse o titular do Sistema de Segurança Pública do Estado (Segup).

 

Sobre possíveis indícios de algum fato que leve aos assassinos, Luiz Fernandes Rocha disse que uma certeza os peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, de Marabá, já têm: "Tudo indica que foi um crime planejado, pois o assassino ficou esperando o casal passar", afirmou o secretário, que informou que a polícia não tem qualquer informação sobre a existência de testemunhas.

 

Ele destacou ainda que a integração entre as polícias Civil, Militar e Federal, em atuação conjunta com as Delegacias de Conflitos Agrários de Belém e de Marabá, vai dar celeridade aos trabalhos para se chegar até os autores do crime, moldado nas características de outros assassinatos rurais no Pará, como o da missionária Doroty Stang e do seringueiro e sindicalista Chico Mendes, já que eles receberam, assim como José Cláudio e sua mulher, que chegaram a gravar um vídeo avisando sobre as ameaças que sofriam.

 

"A população do Pará e do Brasil pode ficar tranquila porque esse crime não ficará impune", garantiu o secretário, que permanece na cidade de Marabá até a noite desta quarta-feira, sendo que uma equipe de policiais permanecerá no local.

 

Além da Polícia Civil, o superintendente da Polícia Federal no Pará, Manoel Fernando Abbadi, também enviou uma equipe para Marabá, para acompanhar o caso, assim como determinou a presidente Dilma. A assessoria de comunicação da PF informou que o ofício do Ministério da Justiça foi enviado na noite de terça-feira. O documento convocava a corporação para atuar de forma incisiva nas investigações. Mutilação - O casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva lutava contra a devastação florestal e a exploração ilegal de madeira no entorno da comunidade de Maçaranduba desde 2008.

 

Assim que os peritos chegaram ao local do crime, perceberam um detalhe que chocou ainda mais a população: parte da orelha direita de José Cláudio havia sido cortada. A informação da mutilação foi confirmada pela Polícia Civil do Pará. Já o número de tiros que matou os sindicalistas ainda não foi confirmado, o que só será divulgado na manhã desta quinta-feira, 26, quando os peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves divulgar o laudo.

Tudo o que sabemos sobre:
Parámorte de extrativistas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.