Polícia/Divulgação
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Polícia do Paraguai entra na mira do governo após fuga de membros do PCC

Presidente do Paraguai declarou à imprensa ter consciência que o crime organizado se infiltrou em suas instituições

O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2018 | 16h09

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, disse nesta segunda-feira, 17, que "houve cumplicidade"  dos agentes na fuga de dois membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), na noite deste domingo, 16, da sede do Agrupamento Especializado da Polícia Nacional do Paraguai, em Assunção.

O governo local afirmou que foram detidos 18 policiais - 14 homens e quatro mulheres -  e substituídas as autoridades da penitenciária, onde estão detidos presos de alta periculosidade.

Trata-se da segunda destituição de autoridades do centro, após a do mês passado, em consequência do assassinato cometido em uma cela pelo traficante brasileiro Marcelo 'Piloto', que matou uma jovem para evitar sua extradição.

"Aqui houve cumplicidade (...). Quem sabe quanto dinheiro correu aqui?", declarou à imprensa local Abdo Benítez, que acrescentou que o governo paraguaio "tem consciência de que o crime organizado se infiltrou" em suas instituições.

O presidente paraguaio descartou mudanças na cúpula do Ministério do Interior e afirmou que se trata de um problema exclusivo do Agrupamento Especializado.

Os foragidos são Thiago Ximenes e Reinaldo Araújo, que compartilhavam a mesma cela, da qual escaparam supostamente após cortarem as barras de ferro da janela.

"Eles provavelmente cortaram as barras de uma das janelas por onde saíram", disse o vice-ministro do Interior, Hugo Sosa.

Fontes do ministério informaram que Ximenes, conhecido como "Matrix", já tinha protagonizado uma fuga da prisão argentina de Ezeiza.

O caso foi remitido ao Ministério Público do Paraguai e também ao Departamento de Assuntos Internos da Polícia Nacional, que intervém para "determinar o grau de responsabilidade, negligência e cumplicidade de cada um dos agentes policiais apreendidos", segundo o Ministério do Interior.

A segurança no Agrupamento Especializado já estava em interdição depois que Marcelo 'Piloto' assassinou no final de novembro em sua cela uma mulher de 18 anos que foi visitá-lo, supostamente para um serviço sexual.

O criminoso cometeu o assassinato para tentar evitar sua extradição ao Brasil, mas, dois dias depois, foi expulso do Paraguai por ordem de Abdo Benítez.

'Piloto' é considerado um dos líderes do Comando Vermelho (CV), a outra organização criminosa brasileira com ramificações no Paraguai./ EFE

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