Polícia do Paraná prende seqüestradores em São Paulo

Depois de passar 50 dias e passar por cinco cativeiros em São Paulo, uma jovem de 27 anos, filha de um empresário curitibano do ramo de produtos alimentícios, que não teve o nome divulgado a pedido da família, foi libertada na madrugada de sábado, na Favela Malvinas, na Zona Leste de São Paulo, e colocou fim ao seqüestro mais longo da história paranaense. Na operação, o grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais) teve o apoio da delegacia Anti-Seqüestro de São Paulo e prendeu três integrantes da quadrilha. O valor do resgate não foi divulgado e a moça já está novamente junto dos familiares.Apesar do sucesso da operação, a Secretaria de Segurança do Paraná deve encaminhar nesta segunda, ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e ao secretário de Segurança de São Paulo, Saulo Castro de Abreu Filho, um relatório questionando os motivos pelos quais o Grupo de Operações Especiais (GOE), de São Paulo, decidiu não participar da ação de resgate momentos antes da operação ser iniciada.O seqüestro teve início dia 18 de novembro do ano passado, por volta das dez horas da manhã, no bairro Água Verde, na capital paranaense, quando a jovem se dirigia ao trabalho. Segundo o delegado Riad Braga Farhat, ela foi abordada por um grupo de três homens que cercaram o veículo dela, que estava estacionado, e a renderam. Em seguida, a quadrilha levou-a, no próprio veículo dela, até um determinado ponto e depois trocaram de carro. "Nós não sabemos o ponto exato da mudança dos veículos, já que a vítima não soube nos contar. Por conta do nervosismo do momento, ela não conseguiu identificar o local da troca", contou.A partir daí, a família recebeu a primeira ligação dos seqüestradores horas depois do desaparecimento, mas não entrou em contato com a polícia. Por meio de um amigo, os integrantes do Grupo Tigre souberam do seqüestro no dia seguinte. "Por exigência dos seqüestradores, em momento algum a família procurou a polícia ou forneceu qualquer informação que pudesse auxiliar nas investigações. Mesmo assim, com as informações deste amigo, começamos a investigar o seqüestro. Um dos motivos pelos quais a investigação demorou tanto tempo foi a falta de colaboração dos familiares", disse o delegado.Após tomar conhecimento, a polícia fez contatos com outros policiais civis de São Paulo e destacou um grupo para acompanhar o caso, com isso, descobriu que a quadrilha permanecia com a vítima havia quatro dias em Osasco. Em seguida, a moça foi levada para a favela das Malvinas, na zona leste da capital e posteriormente passou por mais três cativeiros, com alguns dias de permanência em cada lugar.Há quinze dias, a polícia descobriu que um dos mentores do seqüestro, Eduardo Maciel de Souza, 23 anos, estava no centro da cidade de São Paulo e o prendeu sem receber nenhum tipo de resistência.Segundo o delegado, a prisão dele (Souza) foi importante tanto pelo aspecto estratégico como psicológico. "Quando os companheiros de Souza souberam que ele estava preso, aumentou a pressão sobre o grupo, que sabia que poderia cair a qualquer momento", disse.Depois de passar mais de trinta dias em campana, a polícia descobriu o quinto cativeiro em que estava a vítima e preparou o resgate.Por volta das quatro horas da manhã de sábado, o grupo entrou no cativeiro, na favela das Malvinas, e encontrou a garota. Ela estava abatida, mas sem sinais de maus tratos. Luciano Mendes de Miranda, 29, e André Pereira Gomes, 25, que faziam a sua vigilância, foram presos sem resistência.A polícia ainda procura mais dez pessoas que formariam o restante da quadrilha e teriam participado do seqüestro. O Grupo Tigre apenas divulgou os primeiros nomes de alguns destes possíveis seqüestradores. Eles são conhecidos como Alexandre, Márcio, Simone, Regiane e Dari. "Estamos divulgando as fotos de alguns deles para que, em conjunto com a polícia paulista, cheguemos até o restante da quadrilha".Os três presos foram levados para o Centro de Triagem de Curitiba. Os bandidos, a princípio, não fazem parte de nenhuma facção criminosa conhecida (como o Primeiro Comando da Capital - PCC).Durante o depoimento, os presos contaram que três integrantes deles permaneceram em Curitiba durante três meses antes de levar a garota. Segundo Farhat, os criminosos ficaram em vários hotéis na capital. "Acompanharam cada passo da família. Sabiam onde e como poderiam realizar a captura. A quadrilha conhecia toda rotina deles".Depois das investigações e a preparação do resgate, nesta semana, quando o Grupo Tigre descobriu o cativeiro e estava pronto para libertar a vítima, o Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil de São Paulo (GOE), por meio do delegado responsável no momento, negou ajuda ao Tigre no resgate. "Pedimos auxílio, mas infelizmente não pudemos contar com eles", disse Farhat, lembrando que "a operação poderia ser prejudicada por esse motivo".Por causa disso, o secretário da Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, ligou para o comandante da Polícia Militar de São Paulo, por volta 2h30 da madrugada de sábado, para pedir reforço. "Apesar da inexplicável negativa do GOE da Polícia Civil de São Paulo, fomos extremamente bem atendidos pelo Grupo de Ações Táticas da PM (GATE), que colaborou com o resgate", disse Delazari.Sobre a operação, o secretário afirmou que a polícia enfrentou uma quadrilha bem articulada, com vários integrantes com passagens anteriores pela polícia por seqüestros. "A quadrilha é bem estruturada, com muito poder econômico, que possibilitou as mudanças de cativeiros e uma rede bem organizada. Seus integrantes são procurados pela polícia paulista e se dedicam aos seqüestros", concluiu.Na semana passada, o grupo Tigre libertou o filho de um empresário catarinense, que estava em um cativeiro em Curitiba.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.