Tasso Marcelo/AE
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Polícia do Rio atribui arrastões e incêndios de carros ao Comando Vermelho

Nesta segunda cinco homens atearam fogo a uma perua e dois carros, na zona norte, e no domingo outros dois carros também foram incendiados na Linha Vermelha

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

22 Novembro 2010 | 17h52

RIO - A Polícia fluminense atribui à insatisfação de traficantes da facção criminosa Comando Vermelho com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas favelas e com a transferência de chefes do tráfico para o presídio federal de Catanduvas (PR) os ataques de criminosos contra motoristas na cidade. Na madrugada desta segunda-feira, 22, cinco homens atearam fogo a uma perua e dois carros, em Irajá, na zona norte, e metralharam uma cabine da Polícia Militar. No domingo, na Linha Vermelha, uma das principais vias expressas, seis homens incendiaram dois carros e atiraram contra um veículo da Aeronáutica. Nos dois casos, ninguém ficou ferido.

 

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Para enfrentar a nova onda de ataques, o governo estadual determinou que o esquema especial de policiamento do fim do ano fosse antecipado. Escalas de policiais foram reduzidas para aumentar o efetivo do patrulhamento nas ruas, e o policiamento das vias passará a contar com 140 motocicletas. "Claro que isso tem a ver com a reorganização do território que reconquistamos. Vamos continuar pacificando, porque ainda tem comunidades que servem de fortaleza e escudo para o crime", disse o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

 

Os ataques em série pegaram a cúpula da Segurança Pública de surpresa. Pela manhã, Cabral chegou a anunciar que o secretário de Segurança estava reunido com o comandante-geral da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, para tratar do assunto. No entanto, Beltrame estava em Brasília para reunião com a presidente eleita Dilma Rousseff. Duarte ligou para os comandantes dos batalhões das áreas atingidas pelas ações dos criminosos determinando o aumento do policiamento e disse que a PM voltará a operar nas favelas dominadas pelo CV.

 

"Vamos operar de forma pontual nas favelas para localizar os criminosos que estão realizando esta ação", disse Duarte. No Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio, os principais refúgios dos traficantes do CV, porém, a polícia não faz operações de busca a traficantes desde janeiro de 2008, quando foram anunciadas as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no conjunto de favelas da zona norte. O comandante da PM não quis comentar o déficit no efetivo da corporação que conta com 39 mil homens. "Vamos receber 3.600 policiais na próxima incorporação e no próximo ano devemos abrir vagas para 7 mil homens. O objetivo é chegar até 2014 com 50 mil homens e 60 (mil) em 2016", afirmou.

 

Ataques de traficantes contra veículos no Rio são parte das crises da área de segurança pública desde 2005. Neste ano, uma quadrilha da Favela Pára-Pedro incendiou o ônibus da linha 350 cheio de passageiros. Cinco pessoas morreram e 16 ficaram feridas. No ano seguinte, um ônibus da Viação Itapemirim foi interceptado por 15 homens encapuzados que atearam fogo ao veículo. Nove pessoas morreram. Um quartel do Corpo de Bombeiros e delegacias foram atacados. Em outubro do ano passado, dois mil policiais foram mobilizados para impedir o ataque de traficantes contra ônibus. A ameaça ocorreu após a Polícia matar mais de 30 supostos traficantes em diversas favelas do Rio, após a queda de um helicóptero da PM abatido a tiros no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte.

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