Polícia do Rio cria núcleo para combater torcidas organizadas

Medida tem em vista a Copa das Confederações, no ano que vem, e a Copa do Mundo, em 2014

Leonardo Maia - Agência Estado,

27 Agosto 2012 | 20h24

RIO DE JANEIRO - A chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, anunciou nesta segunda-feira, 27, a criação do Núcleo de Combate e Prevenção às Ações de Torcidas, com o objetivo de aumentar a eficiência no combate aos crimes cometidos por torcedores organizados no futebol. A medida faz parte do planejamento tendo em vista a Copa das Confederações, no ano que vem, e a Copa do Mundo, em 2014, e foi efetivada depois da prisão no sábado de 21 integrantes da Young Flu, torcida uniformizada do Fluminense, que agrediram dois torcedores do Vasco antes do clássico válido pelo Campeonato Brasileiro.

"Estamos olhando para os grandes eventos que a cidade receberá, não apenas para o futebol. Onde houver um grande evento, esse núcleo vai atuar", disse Martha, que pretende se reunir com os presidentes dos quatro grandes clubes cariocas com o intuito de coibir a distribuição gratuita e venda exclusiva de ingressos para membros de organizadas que tenham se envolvido em atos de violência. "Aquele que deseja o futebol como arte vai aplaudir essa iniciativa", discursou a chefe de polícia.

A criação do núcleo pretende dinamizar e unificar as investigações acerca dos crimes cometidos por tais grupos. Anteriormente, os casos eram investigados pelas delegacias responsáveis pelas regiões onde ocorriam os crimes, e não havia um cruzamento de informações.

A partir de agora, as várias delegacias especializadas vão trabalhar em conjunto, com cada uma atuando em sua respectiva área. Vão integrar o núcleo a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), a Delegacia de Defraudações (DDEF), a Delegacia do Consumidor (Decon), a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a Delegacia da Criança Vítima (DCAV) e a Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (DEAT).

Morte. No último dia 19, o torcedor do Vasco Diego Martins Leal foi morto a tiros por integrantes da Torcida Jovem do Flamengo. Dois suspeitos foram presos. A chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, enviou representação para a Procuradoria Geral de Justiça para que sejam adotadas medidas restritivas contra integrantes da torcida, como a suspensão ou impedimento da entrada da Jovem Fla em estádios de futebol do Estado do Rio.

Na semana passada, a Justiça já havia decretado o banimento da Força Jovem do Vasco por seis meses dos estádios cariocas, pelo assassinato de Bruno de Santa Ana Saturnino, em maio. O Ministério Público do Rio (MPRJ) instaurou inquérito para verificar se a morte de Diego foi uma retaliação ao ataque a Bruno.

Em junho de 2011, o MPRJ assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com representantes de 36 torcidas organizadas de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Desde a assinatura do TAC, 20 suspensões já foram aplicadas.

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