Polícia do Rio é a mais violenta, diz relatório

A polícia do Rio é a mais violenta do País. Mata 3,2 pessoas por dia. A polícia de São Paulo mata 2,37 pessoas todos os dias e os governos estaduais alimentam essa violência. As denúncias estão no relatório sobre Direitos Humanos no Brasil 2003, distribuído nesta quinta-feira em São Paulo pela Justiça Global, dia em que o Programa Nacional de Direitos Humanos completou oito anos.Segundo o documento, a polícia brasileira é uma das mais violentas do mundo e o sistema carcerário nacional é um espaço de punição, exclusão e materialização da criminalização da pobreza. A maioria dos presos está na faixa dos 30 anos e tem baixa escolaridade. Entre 1995 e 2003 a população prisional sofreu um aumento de 84%. Dados que caracterizam "nossas mazelas" sociais.O relatório tem ainda o perfil do torturado e trata da violência contra trabalhadores rurais, homossexuais e defensores de direitos humanos e a discriminação racial. Os responsáveis pelo documento apontam que a taxa nacional de mortalidade por homicídio cresceu, de acordo com o IBGE, 130%, entre 1980 e 2000, passando de 11,7 por 100 mil habitantes para 27 por 100 mil. É o terceiro anuário do Centro de Justiça Global com "histórias e análises de um Brasil no qual - em seis de suas maiores regiões metropolitanas - 12,8 % da população economicamente ativa está desempregada".Segundo o relatório, no Brasil o Judiciário é conservador e condescendente com a violência, tortura e outras violações de direitos humanos praticadas por autoridades, agentes do Estado, policiais fora e dentro de prisões. Afirmam os analistas da Justiça Global que o combate ao tráfico de drogas se limita à repressão policial em favelas, fazendo de moradores honestos figuras suspeitas ou culpadas.A situação do sistema carcerário é tratado com destaque. De acordo com o levantamento, 54,2% dos presos têm menos de 30 anos, são pobres e de pouca escolaridade; 10,4% são analfabetos e 69,5% têm o primário incompleto. O documento relata que as leis penais duras contribuem para que o número de presos não pare de aumentar. "Jovens continuam sendo enjaulados no inferno de superlotações, motins, instalações sanitárias precárias, doenças infecto-contagiosas, mortes, privações físicas e mentais." Os analistas afirmam que em 51,3% das detenções o preso foi condenado por furto e roubo.

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