Polícia do Rio é 'incompetente' e 'brutal' , diz 'The Economist'

Reportagem da revista diz que polícia é 'pelo menos metade do problema de violência que atinge o País'

BBC

02 de agosto de 2007 | 19h18

A revista britânica The Economist afirma, em edição publicada nesta quinta-feira, que a polícia estadual do Rio de Janeiro é "pelo menos metade do problema" da violência que atinge as favelas da capital.   A reportagem Briga nas favelas afirma: "O Rio está combatendo o crime. Mas a polícia é pelo menos metade do problema".   "Além de incompetente, a polícia do Rio está entre as mais brutais do mundo", afirma o artigo, que cita o aumento de 250%, em relação a 2002, no número de mortes causadas pela polícia no Estado do Rio.   Segundo a revista, nas últimas duas semanas os cariocas "vibraram" com a redução dos assassinatos, assaltos e roubos de carro devido à operação especial de segurança para garantir a realização dos Jogos Pan-Americanos.   'Estômago'   No entanto, muitos começam a se preocupar com o que vai acontecer agora que os atletas já deixaram a cidade. Segundo a revista, muitos dos problemas de segurança da cidade são explicados pela incompetência de diversos governos.   "Anos de prostração oficial, ineficiência e corrupção deslavada envenenaram lentamente o cumprimento da lei na cidade", diz o artigo. "Muitos especialistas acreditam que o mal remonta a um século atrás, quando a polícia começou a receber pagamentos da loteria ilegal popular chamada jogo do bicho." A revista também atribui a culpa de parte da corrupção policial ao "código trabalhista permissivo, que dificulta a demissão de servidores públicos".   Segundo a Economist, muitos dos policiais corruptos afastados conseguem na Justiça o direito de voltar ao trabalho.   Outro problema indicado pela reportagem é a preferência dos eleitores cariocas por "líderes populistas, que distribuíram os altos cargos de segurança para amigos", enquanto a polícia do Estado é a segunda pior remunerada do País.   A revista diz que o governador Sérgio Cabral "parece mais determinado do que seus antecessores", mas que não está claro se ele "tem o estômago" para enfrentar os problemas da corporação policial do Estado.

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