Polícia do Rio investiga assassinatos na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha

Documentos confidenciais do Centro de Inteligência do Exército (CIE) apontam que o tráfico de drogas voltou ao Complexo do Alemão

Pedro Dantas - O Estado de S. Paulo,

10 de janeiro de 2011 | 18h32

RIO - A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio investiga pelo menos dois assassinatos ocorridos que seriam represálias do tráfico de drogas na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio, mesmo após a ocupação do conjunto de favelas pela Força de Pacificação, composta por paraquedistas do Exército e policiais militares.

 

Documentos confidenciais do Centro de Inteligência do Exército (CIE) também apontam que o tráfico de drogas voltou ao Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. A forma de atuação dos traficantes mudou, mas na Favela da Galinha um relatório aponta que homens armados mantêm uma boca-de-fumo itinerante no local. Para evitar prisões, o tráfico conta com alguns moto taxistas, que trabalham como olheiros. O documento do Exército aponta que em algumas bocas o usuário tem que dizer a senha ("onde estão os amigos?") para comprar entorpecentes.

 

Um dos assassinatos investigados pela DH é do morador José Antônio de Souza, de 61 anos. O corpo dele foi encontrado no dia 1º de janeiro com várias marcas de tiros na Estrada José Rucas, na entrada da Vila Cruzeiro. No dia 26 de dezembro, a moradora Maria dos Santos, de 47 anos, foi morta a pauladas por ter saqueado a casa de um traficante na mesma favela. "Estamos ainda em fase de investigação. Nosso objetivo é identificar os autores destes crimes", confirmou o delegado titular da DH, Felipe Ettore. "A parte baixa está ótima, mas na parte alta da favela alguns moradores contaram que houveram estas cobranças do tráfico", contou um morador da Vila Cruzeiro.

 

Os relatórios do Exército mostram que o tráfico voltou em várias localidades do conjunto de favelas. Um informe aponta que uma boca de fumo funciona atrás do depósito de uma loja de eletrodomésticos na localidade conhecida como Skol, na Favela da Fazendinha. Na mesma favela, nas localidades conhecidas como "Casinhas" e "Campo do Seu Zé", os traficantes também instalaram bocas de fumo. Recentemente, outro informe apontava que homens em um Corolla preto monitoravam o posicionamento dos homens do Exército.

 

Uma preocupação Comando da Brigada de Infantaria Paraquedista é com o ânimo da tropa. Alguns soldados estão trabalhando há 40 dias na ocupação do Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. As instalações para as tropas também estão precárias. Na melhor delas, instalada em uma sala da estação do teleférico no Morro do Adeus, a base se resume a vários colchões espalhados no chão e cópias de fotos de traficantes do Complexo do Alemão procurados coladas na parede. Não há local próprio para refeições e apenas garrafas de água estão à disposição dos militares.

 

Invasão. Com blindados e homens dos fuzileiros navais, a polícia invadiu o Complexo do Alemão no dia 28 de novembro. Três dias antes, foi transmitida pela televisão a fuga de 200 homens da Vila Cruzeiro para a Favela da Grota, Complexo do Alemão pela trilha da Serra da Misericórdia, que liga os dois conjuntos de favelas, após a ocupação das favelas da Penha pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

 

Após a divulgação das imagens, 180 homens da Polícia Civil e da Polícia Federal, 190 policiais militares e 800 homens da do Exército cercaram o Alemão. A determinação da participação do Exército na operação foi do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

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