Polícia do Rio prende chefe de organização criminosa

O criminoso mais procurado do Estado, o traficante Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, de 40 anos, foi preso na manhã de hoje, na casa dele, na favela Vila Vintém, na zona oeste. Ele estava desarmado, sozinho e não reagiu à prisão. O traficante, no entanto, desafiou os policiais: "Não importa se estou lá dentro ou aqui fora. Eu continuo no comando. Vocês podem arrumar mais cadeia (novas condenações), que eu só vou cumprir 30 anos mesmo", disse Celsinho. O traficante foi levado para o presídio de segurança máxima Bangu 1 e vai ficar preso ao lado do antigo companheiro Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê. Celsinho e Uê chefiam juntos uma das organizações criminosas mais violentas que atuam no Estado, a Amigo dos Amigos (ADA). Condenado a 48 anos de prisão pelos crimes de assalto a mão armada e tráfico, Celsinho estava foragido desde 1998, quando escapou do Hospital Penitenciário, no Complexo da Frei Caneca. Segundo informações da polícia, ele teria pago R$ 1 milhão para fugir. Ele já havia fugido do presídio Milton Dias Moreira, em 1994, mas foi recapturado em 1996.O criminoso, que está há 19 anos à frente do tráfico da Vila Vintém, foi preso por uma equipe de 10 policiais da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) na favela em que nasceu e sempre morou. O grupo cercou a casa do traficante no momento em que os homens que fazem a segurança do criminoso estavam em outro ponto da favela. Foram feitos disparos em diferentes locais da Vila Vintém. Para a polícia, essa foi uma tentativa de desviar a atenção dos policiais, que sequer tiveram tempo de revistar a casa do traficante - eles saíram da favela às pressas para evitar que Celsinho fosse resgatado."Recebemos a informação de que ele havia chegado à favela, fizemos o cerco, vimos que havia condições de prendê-lo, e avançamos. Estivemos muito perto dele em outras duas ocasiões, mas não havia como efetuar a prisão sem colocar muitas pessoas em risco", afirmou o delegado Alcides Iantorno, que chegou ao criminoso depois de investigar uma quadrilha de roubo a bancos. Um comparsa do traficante, o Beleléu, foi preso e entregou parte do esquema do bando.Uma das ocasiões em que os policiais da DRF estiveram prestes a prendê-lo foi a festa de aniversário da filha do traficante, em 17 de março passado. Celsinho teria participado da comemoração, tendo como seguranças seis PMs do 14º Batalhão, de acordo com o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), coronel Venâncio Moura, que também tentava prendê-lo durante a festa. O traficante teria escapado no carro da PM.InteligênciaO secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, disse que não teme as ameaças de Celsinho de que ele continuará a comandar o tráfico de drogas. "Faremos o aumento da vigilância eletrônica e não permitiremos que ele use advogados como menino de recados", afirmou Aguiar.O chefe da Polícia Civil, delegado Zaqueu Teixeira, que classificou a prisão como a mais importante dos últimos anos, aproveitou a ocasião para alfinetar o governo de Anthony Garotinho. "O governo anterior chegou a oferecer R$ 50 mil por uma informação que levasse à prisão dele. Nós levamos apenas um mês para prendê-lo só com o uso de inteligência e integração", disse. Zaqueu acredita que a prisão tenha desarticulado a ADA. "Pacato"Ao ser apresentado à imprensa, Celsinho não lembrava o homem que tem uma folha corrida de 34 páginas. Na entrevista que deu aos repórteres, Celsinho se recusou a repetir o desafio feito aos policiais que o prenderam. "Sou um homem pacato", repetiu diversas vezes o traficante, que responde ainda a quatro processos por homicídio, roubo de carga e tráfico.Ele também garantiu que nunca teve policiais trabalhando como seguranças. "Eu sou traficante, sou bandido. Minha relação com a polícia é de gato e rato." Ele parecia ter esquecido que foi preso em 1996, dois anos após a fuga do Presídio Milton Dias Moreira, na companhia de um policial militar e um civil, acusados de fazerem sua segurança. O grupo se preparava para assistir a um show na escola de samba Mocidade Independente.Celsinho tentou minimizar o seu poder. "Minhas áreas são a Vila Vintém e o Curral da Ema, uma favelinha. Faturo só R$ 50 mil por semana. Para mim, sobram apenas R$ 10 mil. A polícia não me deixa trabalhar", afirmou. Segundo a polícia, ele domina o tráfico em 90% das favelas da zona oeste e movimenta mensalmente cerca de R$ 10 milhões.TransferênciaEnquanto prestava depoimento na DRF, em Pilares, na zona norte, Celsinho atraiu uma multidão de curiosos, que se amontoou em frente à delegacia. Todos queriam ver o traficante famoso. A segurança em torno da DRF foi reforçada, e helicópteros sobrevoavam a área, para evitar uma possível tentativa de resgate. Celsinho prestou depoimento por cerca de uma hora e foi escoltado até o presídio de Bangu 1 por 35 policiais. Dois helicópteros acompanharam a transferência, que levou 40 minutos. As baixas no tráfico do RioErnaldo Pinto de Medeiros, o Uê, de 32 anos, está preso desde 1996 na penitenciária de segurança máxima Bangu 1. Aos 17 anos, já comandava o tráfico no morro do Adeus. Em pouco tempo, passou a dominar a venda de drogas também nos complexos do Caju e do Alemão. É acusado de ordenar a morte do traficante Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, do Complexo do Alemão, que pertencia à mesma facção que ele. Isolado pelos antigos aliados, criou uma nova facção criminosa, a Amigos dos Amigos (Ada), junto com Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém. Cumpre penas que somam mais de 200 anos de prisão por tráfico e homicídios.Wanderlei Soares, o Orelha, de 36 anos - cunhado e principal aliado de Uê, foi preso no dia 15 de abril durante uma operação conjunta das polícias Federal, Civil e Militar. No mesmo dia também foram presos e levados para o Presídio Ary Franco, em Água Santa, a mulher dele, Enivalda Pinto Medeiros, irmã de Uê, dois advogados e duas mulheres que seriam responsáveis pela contabilidade da quadrilha e um homem acusado de ser o negociador de armas e munição.Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, de 38 anos - principal atacadista de drogas do Rio, foi preso em 21 de abril de 2001 na Colômbia, e transferido no mês passado da Superintendência da PF em Brasília para o presídio de segurança máxima de Bangu 1, abrindo uma crise entre as autoridades de segurança pública federal e estadual. Beira-Mar estava foragido havia quatro anos até ser encontrado na selva colombiana, a cerca de 600 quilômetros de Bogotá. Ele foi condenado duas vezes pela Justiça brasileira a 12 anos de prisão, por tráfico de drogas e acusado de homicídio. Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, de 32 anos, comandou o tráfico de drogas no Complexo do Alemão. Está preso desde 1997 no presídio de segurança máxima de Bangu 2, na zona oeste da cidade. Condenado por homicídios, venda de drogas e formação de quadrilha, o traficante é ligado à facção criminosa Comando Vermelho.Márcio José Guimarães, o Tchaca, de 36 anos, está preso em Bangu I desde janeiro, controlava o tráfico nos morros do Quieto e nas favelas do Paim Pamplona, Céu Azul, Matriz, São João e Rato Molhado, no Engenho Novo, zona norte.Ainda soltosPaulo César Silva dos Santos, o Linho, de 30 anos, possui um currículo que inclui tráfico, seqüestros, roubos e formação de quadrilha. Integra a elite do tráfico na cidade - é o principal homem do Terceiro Comando. Embora tenha iniciado sua carreira na favela Roquete Pinto, Linho expandiu seus negócios pelas favelas que integram o Complexo da Maré, em Bonsucesso. Está condenado a cinco anos de cadeiaElias Pereira da Silva, de 42 anos, conhecido como o Elias Maluco, é um dos líderes do Comando Vermelho e chefe do tráfico no Complexo do Alemão. Em março, ele foi acusado pela Chefia de Polícia Civil de ordenar ataque a um Posto de Policiamento Comunitário (PPC) da Favela Parque União, em Bonsucesso, zona norte, ocorrido durante a madrugada. A polícia também sustenta que ele teria ordenado um movimento pró- aliança de grupos criminosos do Rio com o PCC, de São Paulo.

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