Polícia do Rio realiza megaoperação no Complexo da Maré

Ação, na zona norte da capital, visa a desarticular o tráfico na região e é resultado de seis meses de investigação; mais de 200 policiais participam da incursão

Adriano Barcelos, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2013 | 08h47

RIO - Cerca de 240 policiais civis tomaram pontos estratégicos do complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio, nesta quarta-feira, 13. Foram presas 26 pessoas dentro da Operação Netuno. Das 25, 12 foram presas nesta quarta durante a operação e outras oito haviam sido detidas nos últimos dias, antes das ação na Maré. Outras cinco pessoas foram conduzidas para o sistema prisional porque tinham mandados de prisão pendentes por outros crimes não relacionados com as investigações.

O objetivo da Operação Netuno, segundo a Polícia Civil, é combater o tráfico na favela da Maré, que estaria atualmente nas mãos de duas facções: o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV). Havia 51 mandados de prisão expedidos ao todo e, dos 12 presos de hoje, metade pertenceria ao TCP e metade ao CV.

Segundo o subchefe operacional da Polícia Civil fluminense, Fernando Veloso, foram encontradas armas, drogas e um local de endolação - ponto em que os traficantes embalam e preparam as drogas para venda - foi estourado pela polícia.

"A operação foi resultado de seis meses de trabalho amplo. Há duas facções na região da Maré, o que a torna uma área muito sensível", afirma o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança, Fábio Galvão.

Conforme os policiais, a operação segue em curso e policiais enfrentam resistência armada de criminosos na comunidade de Vila dos Pinheiros.

As investigações apontam para a sucessão no comando do tráfico na Maré. Com a morte de Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, em maio de 2012, outro criminoso, Marcelo Santos das Dores, o Menor P, assumiu o controle da venda de armas e drogas na região.

O trabalho de inteligência indica ainda que a comunidade conhecida como Nova Holanda se tornou uma espécie de entreposto de drogas. Nessa comunidade foi identificado um esquema de repasse de droga para criminosos do Espírito Santo. A quadrilha utilizava pessoas para fazer o transporte - as mulas, como são chamadas pelos bandidos. Elas geralmente utilizavam ônibus para fazer o trajeto interestadual e eram escoltadas por criminosos na estrada, que faziam o trajeto Rio de Janeiro-Espírito Santo sem a droga.

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