Polícia do RJ já solucionou único seqüestro do ano

O único caso de seqüestro ocorrido neste ano no Rio, até agora, foi solucionado pela polícia fluminense há uma semana. O comerciante José Antônio Fernandes, de 46 anos, que havia ficado quatro dias num cativeiro em Piedade, zona norte da cidade, foi libertado por agentes da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS) na noite do dia 14, sem que sua família pagasse o resgate pedido pelos bandidos, de R$ 200 mil. Desde então não houve registro de novos seqüestros no Estado, seguindo a tendência de queda deste tipo de crime nos últimos seis anos (houve apenas um leve aumento, de 2000 para 2001).Nos anos anteriores, a quantidade desse tipo de crime assustava: em 1999, foram 17; em 1998, 22; em 1997, 58; em 1996, 77; em 1995, 108. De acordo com o titular da DAS, delegado Fernando Moraes, o sucesso na solução dos seqüestros - o que significa não-pagamento de resgate, libertação da vítima e prisão dos seqüestradores - se deve à ênfase dada à investigação. Ele conta com 105 policiais, 88 investigadores, 15 PMs e dois agentes penitenciários, não dispõe de aparelhos sofisticados e recebe de uma verba de apenas R$ 4 mil. O delegado, que se orgulha de dizer que "no Rio, não se paga resgate", acredita que a especialização de sua equipe tenha levado à redução do número de seqüestros. Moraes acredita que a polícia de São Paulo age mal ao atender às demandas dos bandidos para depois libertar as vítimas, embora admita que a estratégia adotada pela DAS é, em tese, mais arriscada para os seqüestrados. No caso de José Antônio Fernandes, tudo correu conforme previsto pelos policiais - o comerciante foi encontrado quatro dias depois de levado pelos criminosos e foi devolvido à família sem sofrer violência. Seis pessoas estão presas.Ainda se recuperando do trauma, Fernandes falou ao Estado e elogiou a política do governo do Rio contra os seqüestros. "Se há uma coisa que funciona bem no Rio, é a DAS. Eles trabalham com dedicação com a finalidade de libertar as pessoas dos bandidos. Os policiais são jovens, mas têm experiência no ramo, são preparados para agir numa situação difícil como essa e estão sempre se aprimorando", afirmou o comerciante. "Minha família contatou a DAS logo que fui levado e foi amparada pelos policiais durante todo o tempo." O comerciante considera o Rio uma cidade mais segura do que São Paulo para se viver. "No Rio, hoje em dia, o único comprometimento da DAS é salvar os seqüestrados. Em São Paulo, me parece que a polícia é cúmplice do crime organizado", afirmou, ressalvando que acredita que, em anos anteriores, a polícia fluminense "também tinha ligação com o crime."

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