Marco Antônio Carvalho / Estadão
Marco Antônio Carvalho / Estadão

Polícia detém 17 por ataques e rebelião em Natal; ônibus não voltam a circular

Dentre eles, estão cinco possíveis líderes do PCC; transporte público não funciona neste domingo, 22

Marco Antônio Carvalho, Enviado especial para O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2017 | 17h35

NATAL - A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte divulgou neste domingo, 22, que, na última semana, 17 pessoas foram detidas por ligação com a rebelião que deixou 26 mortes na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, e pela onda de ataques que se seguiu na capital e no interior. Contra elas, foram instaurados inquéritos que deverão apurar as responsabilidades dos envolvidos em crimes como homicídio e incêndio. Mesmo com a chegada completa do efetivo previsto das Forças Armadas, 1,8 mil agentes, ônibus do transporte público tiveram a circulação reduzida pelo quinto dia. 

O balanço da secretaria inclui os cinco homens retirados do pavilhão 5 de Alcaçuz dois dias depois do massacre. Eles foram apontados como líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e teriam coordenado as mortes. O grupo foi autuado por dano ao patrimônio público, lesão corporal, vilipêndio de cadáver e organização criminosa, além dos 26 homicídios qualificados. Cláudio Candido do Prado, Tiago de Souza Soares, Paulo da Silva Santos, José Francisco dos Santos e Paulo Márcio Rodrigues de Araújo aguardam que a Justiça analise o pedido para transferência a uma unidade federal. 

Além da Polícia Militar, participaram das prisões os agentes da Força Nacional de Segurança, cujo efetivo no Estado foi reforçado desde a semana passada, e da guarda municipal. Entre os detidos estão dois adolescentes, além de homens que foram presos tentando jogar munição para dentro de Alcaçuz e envolvidos com os incêndios contra veículos do transporte público e carros oficiais.

Alysson Roberto Silva Diniz, de 28 anos, foi preso no sábado após a polícia tê-lo identificado como responsável pelo incêndio de três ônibus em Barra de Maxaranguape, a 45 quilômetros da capital. A pasta de segurança informou ainda que foi presa uma pessoa suspeita de ter gravado e divulgado um vídeo pelas redes sociais com conteúdo de ameaças à sociedade.

Ônibus. Desde a quarta-feira passada, quando teve início a onda de ataques em Natal, a circulação de ônibus está sendo afetada parcial ou totalmente. Neste domingo, os veículos não saíram das garagens, prejudicando a rotina de cerca de 400 mil pessoas que dependem do serviço; não houve registro de ataques na madrugada deste domingo. A expectativa das empresas e dos rodoviários é que a atividade possa ser retomada nesta segunda.  

Neste domingo, o efetivo completo das Forças Armadas passou a atuar na região metropolitana. Homens e mulheres do Exército, Marinha e Aeronáutica realizam patrulhamento ostensivo a pedido do governador Robinson Faria (PSD). São 1,8 mil pessoas deslocadas para reforçar a segurança na cidade após as ordens de ataques que partiram de dentro do presídio de Alcaçuz. A quantidade representa o equivalente a 20% do efetivo total da Polícia Militar potiguar.

Neste domingo, a situação na unidade era de relativa tranquilidade. Presos eram vistos circulando livremente pelos pavilhões e pela área externa, mas evitaram subir ao teto das estruturas e realizar ameaças contra a facção rival. Para separar os grupos, o governo pretendia terminar neste domingo um muro dividindo os pavilhões 1, 2 e 3 do 4 e 5. A estrutura provisória está sendo montada com contêineres, que, postos lado a lado, formarão uma barreira de cerca de seis metros de altura. O governo aponta esse como o primeiro passo para retomar o controle da unidade e evitar novas mortes.

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