Polícia encontra dinheiro na casa de acusado em Bragança

A última grande dúvida - o paradeiro do dinheiro roubado da loja "Sinhá Moça" - do crime de Bragança Paulista foi esclarecida, na tarde desta quarta-feira, 13. O montante de R$ 15.459,26 em cheques, notas e moedas foi encontrado dentro do forro da casa de um dos criminosos, o eletricista Luís Fernando Pereira, 37 anos, no bairro Enerdina Cortês.A Polícia Civil encontrou o dinheiro depois da informação dada pelo eletricista e seu comparsa e cunhado, o serralheiro Joabe Severino Ribeiro, 36. De acordo com o delegado-seccional Paulo Tucci os dois prestaram depoimento formalmente e confessaram ter incendiado o Fiat Palio.Dentro do carro estavam o casal Eliana Faria da Silva, 32 anos, o mecânico Leandro Donizete de Oliveira, 31, o filho, o garoto Vinícius Faria de Oliveira, de 5 anos de idade e uma funcionária da loja, a caixa Luciana Michele Dorta, 27. O casal morreu na hora. O menino morreu na terça-feira. A funcionária teve 70% do corpo queimado e continua internada no hospital. De acordo com parentes, ela está consciente e está se recuperando.Caso encerradoPara a polícia, o delegado-seccional Paulo Tucci, o caso está encerrado. A motivação seria o roubo: "dinheiro fácil. A função de ce cada um: Joabe era o truculento, que já tinha sido preso pelo mesmo tipo de crime e Luís Fernando por ter a informação das vítimas. "Inclusive o Luís Fernando teria realizado reparos na residência do casal", disse Tucci.Sobre se os criminosos planejaram desde o começo a morte dos reféns. Há dois indícios para a polícia: os bandidos levaram a lata de tíner no carro e porque Joabe disse para o cunhado que se fossem reconhecidos "era para matar as vítimas".Das contradições, a polícia comenta que: O eletricista falou que aceitou participar porque devia dinheiro e era ameaçado pelo cunhado. O serralheiro não confirma a participação do terceiro bandido.A polícia acha que a dívida não era problema porque o eletricista tem uma motocicleta avaliada em R$ 4,8 mil e um Astra, em cerca de R$ 20 mil. Os policiais também investigam um furto de R$ 38 mil, que ocorreu há seis meses, num comércio onde Luís Fernando realizou um serviço na instalação elétrica. "As ameaças não pararam por aí. Os criminosos ameaçaram os próprios familiares para que confirmassem ´custe o que custar´ a versão inventada de que Joabe tivesse sofrido um acidente", disse o delegado.Conhecido na cidadeO eletricista Luiz Fernando Pereira, 37 anos, era uma pessoa conhecida na cidade e considerada acima de suspeitas pelo prefeito, por um dos sócios da loja Sinhá Moça e seus funcionários, e alguns moradores da cidade. "Era o tipo de braço direito para o qual a gente telefona sempre que precisa trocar uma lâmpada. Ele estava aqui na loja toda semana. Até na minha casa ele foi e fez alguns serviços", afirmou um dos sócios da loja Sinhá Moça, que preferiu não se identificar, por medo. "Claro que eu tenho medo, eu tenho família. O maior inimigo estava perto da gente." Até para o prefeito João Afonso Sólis (PSDB), Pereira havia prestado serviços. "Para mim, para um delegado da cidade, ele conhecia nossas casas. O que mais nos revolta é a crueldade." Na madrugada de quarta, a porta da loja em que Eliana Faria da Silva, morta pelos assaltantes, foi pichada. A inscrição dizia que Joabe Severino Ribeiro, 36 anos, preso na segunda-feira, "pagaria pelo que fez". Às 6 horas, o proprietário do estabelecimento foi avisado por um vigia noturno e mandou pintar a porta. Segurança na cidadeO secretário municipal de Trânsito e Segurança, Sérgio Pereira da Silva, disse nesta quarta que não haverá reforço na segurança da cidade. "Foi uma tragédia, estamos consternados, mas o crime não reflete a situação da cidade, o fato foi isolado", disse Silva. Segundo ele, os índices de criminalidade diminuíram este ano. Levantamento feito pela secretaria aponta 379 roubos em 2005, ante 281 este ano; 18 homicídios no ano passado, e quatro em 2006; 46 tentativas de homicídio em 2005 ante 24, neste ano; 34 tentativas de roubo no ano passado e 12, neste ano. O número de latrocínios foi o mesmo: cinco. "Nenhum dos outros quatro latrocínios ocorridos neste ano teve a proporção do crime que tirou a vida desse casal e do filhinho deles." A cidade só se assustou dessa forma na década de 70, no caso de um serial killer que ficou conhecido na cidade como Bastião Orelha. Fora de Bragança, Sebastião Oliveira foi apelidade de "o monstro de Bragança", lembra o delegado Djahy Tucci Junior. Oliveira matou quatro crianças enforcadas. Depois de matá-las, ele abusava sexualmente de cada uma, e cortava e mastigava pedaços da carne delas.

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