Polícia estoura central telefônica clandestina

A polícia civil de São José dos Campos estourou nesta tarde uma nova central telefônica clandestina na cidade de Jacareí. Seis linhas estavam instaladas em duas casas próximas, no Parque Meia-Lua, mesmo bairro onde também foi encontrada, no último sábado, uma central com dez cabos. As centrais eram usadas por detentos da região do Vale do Paraíba, de outras cidades do Estado, como Taboão da Serra e Peruíbe e até do Estado do Mato Grosso. "São dezenas de cadeias e presídios que se comunicavam através destas centrais", conta o delegado Carlos Alberto Macedo Bastos. Só na segunda casa, os policiais encontraram uma lista com 90 nomes e telefones de detentos que usavam o serviço. "Em cima da lista havia a sigla PCC", informou Bastos. Este é mais um dos indícios da ligação dos presos com o Primeiro Comando da Capital. As conversas gravadas nas 23 fitas dos telefones grampeados pela polícia também mostram que os presos tinham ligação com a facção criminosa.As linhas eram requisitadas por telefone para a Telefônica, que passava o serviços de instalação para uma empresa terceirizada. As contas não eram pagas e, ao final de três meses, as linhas eram cortadas. Segundo o delegado seccional de São Jose dos Campos, Roberto Monteiro, as linhas eram obtidas com nomes e documentos falsos e chegavam a custa R$ 3.400,00 cada. "Além da formação de quadrilha e tráfico de drogas, os acusados vão responder também por estelionato", informou Roberto Monteiro. Nas duas casas, a polícia prendeu em flagrante três mulheres, identificadas apenas pelos primeiros nomes: Enoemi, Maria Marta e Isaura e a menor S., encaminhada para a Vara da Infância e Juventude. A polícia não tem dúvida de que conseguiu detectar alguns setores organizados da delinqüência. "Eles não esperavam, mas nós quebramos as pernas deles", comentou Macedo.O flagrante da primeira central telefônica em Jacareí, feito no sábado, resultou na morte de um detento da Cadeia Publica do Putim, em São José dos Campos. O preso Deoclécio Setúbal da Silva, de 26 anos, morreu enforcado pelos colegas de cela, na tarde de segunda-feira. Os outros presos teriam desconfiado de que ele tivesse entregado à polícia informações sobre o esquema clandestino de ligações. "Soubemos que ele seria um suposto delator entre os presos", disse o delegado Monteiro. Todas as ligações que a central continua recebendo estão sendo rastreadas. "Vamos pedir à Justiça a quebra de sigilo de todas as linhas telefônicas de que temos o numero", informou Monteiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.