Polícia estoura fábrica que fazia armas para o PCC em SP

O Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) de Guarulhos descobriu nesta sexta uma fábrica clandestina de fuzis no Parque Novo Mundo, zona norte da capital. A polícia estima que 60 fuzis tenham sido produzidos nos últimos dois meses no local. As armas eram vendidas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e facções criminosas do Rio de Janeiro. A polícia suspeita de que as armas possam ter sido usadas nos ataques às bases da Polícia Militar.Instalada nos fundos de uma metalúrgica, a fábrica produzia um fuzil artesanal por dia. Cinco armas foram apreendidas pela polícia. Segundo especialistas, elas foram produzidas por um armeiro experiente, pela sofisticação.São similares ao fuzil russo AK-47, uma das armas de fogo mais usadas no mundo, e ao suíço SIG. As rajadas disparadas por ambas são capazes de perfurar carros blindados e atravessar paredes. Possuem alto poder de impacto. Cada uma era vendida por R$ 5 mil. Os principais clientes da fábrica, segundo a polícia, eram os criminosos membros do PCC e das principais facções criminosas do Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho. No local, a polícia ainda apreendeu farta munição para as armas.De acordo com o delegado do Garra, Douglas Dias Torres, o proprietário da metalúrgica e da fábrica clandestina é Robson Gutierrez Corrêa. Ele está foragido. A polícia descobriu que ontem à noite o acusado e um funcionário identificado como Elias deixaram a fábrica em um Gol com quatro fuzis.Eles seguiram para a última entrega, no Rio de Janeiro. "Eles sempre recebiam as encomendas e entregavam em mãos para os bandidos", explicou o delegado. A polícia acredita que pelo menos quatro pessoas trabalhavam no local.O Garra de Guarulhos vem investigando a fábrica clandestina há dois meses. Hoje de manhã os policiais surpreenderam Severino Canuto terminando de produzir um fuzil. Um homem que a polícia ainda investiga se é funcionário também foi detido.AtaquesA polícia agora apura se os fuzis foram usados na série de ataques a bases policiais ocorridos nesta semana. "Por enquanto, sabemos apenas que eles vendiam para membros do PCC. Existe a hipótese de esses fuzis terem sido levados aos ataques", explicou o delegado Torres.No entanto, nenhuma das bases da Polícia Militar atacadas foi atingida por tiros de fuzil. "Eles em geral são usados pelos criminosos para intimidar. Os fuzis têm forte apelo psicológico", assegurou.Na próxima semana, o Garra seguirá nas investigações para tentar capturar o dono da fábrica e descobrir quem eram os compradores das armas ilegais.

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