Polícia estoura megadesmanche em Campinas

Policiais da Divisão de Investigação sobre Furtos e Roubos de Veículos e Desvio de Carga (Divecar) de São Paulo estouraram, nesta segunda-feira de manhã, um megadesmanche em Campinas.Os 21 funcionários da Auto Peças Tancredão, instalado na Avenida das Amoreiras, no Jardim Campos Elíseos, foram presos em flagrante. A polícia deteve ainda como testemunhas duas mulheres que trabalhavam no balcão da loja.A operação, iniciada por volta das 9 horas, mobilizou 50 homens e 15 viaturas da Divecar, coordenados pelos delegados Edson Soares e João Demetrius. Segundo eles, o desmanche em Campinas é o maior descoberto pela polícia em todo o Estado de São Paulo.Em quatro galpões de dois pavimentos estavam guardadas, de maneira organizada, peças de pelo menos mil automóveis. Num dos galpões havia apenas peças de automóveis importados. O delegado do Departamento de Investigação sobre Crime Organizado (Deic), Godofredo Bittencourt Filho, esteve no local da ocorrência e afirmou que pelo menos 90% do material encontrado é produto de furto e roubo."É de arrepiar. São muitos carros roubados", afirmou. "Juntos, os 937 desmanches descobertos pela polícia na cidade de São Paulo no ano passado não dão uma parte do que foi encontrado em Campinas", garantiu Bittencourt.Ele disse que a incidência de roubo e furto de veículos na região deve cair 20% após a operação desta segunda. No momento do flagrante, os 21 funcionários estavam desmontando cinco carros, todos roubados na região. Quatro haviam sido roubados na madrugada desta segunda-feira nas cidades de Rio Claro, Campinas, São Carlos e Limeira, e o quinto na manhã deste domingo, em Jundiaí.De acordo com Soares, a oficina dispunha de equipamentos modernos que permitiam apagar a numeração de origem dos veículos para vender as peças como se fossem novas. Um dos funcionários foi flagrado pelos policiais removendo a numeração de um motor. Entre os detidos estava Evandro José da Silveira, de 26 anos, acusado pela polícia de integrar uma quadrilha de roubo de veículos que atua na região de Campinas. Silveira tem passagem por assalto.O dono da oficina, Alfredo de Alcântara, não havia sido localizado pela polícia até o final da tarde desta segunda. Ele tem passagem por receptação, furto e estelionato. Soares explicou que os 21 funcionários seriam levados para São Paulo, onde permaneceriam detidos, à disposição da Justiça de Campinas.Ele informou que a polícia deve pedir a prisão temporária ou preventiva do proprietário do desmanche. A oficina tem alvará da prefeitura de Campinas para funcionar. Mesmo assim, o depósito foi lacrado pelos policiais. Segundo o delegado da Divecar, a Receita Federal da cidade será acionada para averiguar as operações fiscais do desmanche.Bittencourt comentou que as condições das peças encontradas atestam que se trata de material roubado. Ele apontou que as carrocerias não estavam danificadas, e as portas não tinham vidros. "Esse material provém de carros novos e não batidos. Os vidros são removidos porque neles há a numeração que pode identificar o veículo", alegou.Parte do material encontrado nesta segunda foi levado em três carretas para ser periciado em São Paulo. O delegado do Deic explicou que os peritos virão a Campinas para tentar identificar as peças que ficaram na oficina. "Serão necessários vários dias para avaliar tudo", disse.Ele afirmou que não é possível estimar quantos carros poderão ser identificados. O flagrante ocorreu depois que a Divecar recebeu uma denúncia anônima. Bittencourt disse que ficou impressionado com a rapidez com que os carros eram desmontados. "É a capital do desmanche", apontou.De acordo com Soares, os 21 funcionários trabalham como se estivessem em uma linha de produção, cada um com sua função. O delegado da Divecar comentou que eles desmontavam pelo menos 10 automóveis por dia. "A oficina tem um refeitório, que é para os funcionários nem saírem daqui de dentro enquanto trabalham", disse Demetrius.A quantidade de peças, a rapidez do desmonte, a ausência de vidros nas portas e de danos nos automóveis levaram a polícia a acreditar que o local pode ser o principal centro de receptação das quadrilhas da região de Campinas. "Esse lugar é altamente organizado", alegou Bittencourt.Ele acrescentou que a polícia local foi acionada para dar continuidade às investigações, com o apoio da Divecar. O delegado da Deic negou que esteja havendo uma intervenção da polícia de São Paulo em Campinas. "Não posso julgar se houve falha na investigação da polícia local", respondeu ao ser questionado sobre o fato de o megadesmanche não ter sido descoberto pelos investigadores da cidade.Ele explicou que a Divecar promove ações em todo o Estado, não apenas na capital. "É uma polícia especializada que atende todo o Estado", justificou o delegado. Ele disse que a Divecar tem condições de cruzar rapidamente as informações sobre veículos roubados e desmanches descobertos, o que facilita a investigação.

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