Andre Dusek/AE
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Polícia falou com sequestrador minutos antes de tragédia de GO

Tio da menina que morreu com o pai no acidente conseguiu falar com Kleber pouco antes de entrar no avião

Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo,

13 de março de 2009 | 18h42

O voo da morte de Kleber Barbosa e sua filha Penélope foi anunciado. Por celular. Há 21 anos na Polícia Militar de Goiás, o sargento Adão da Mota Correia, tio de Erica, mãe da menina, interceptou por telefone o sequestrador.

 

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Numa viatura, Adão conseguiu, por volta de 15 horas, o primeiro contato por telefone celular com o sequestrador. Kleber naquele momento estava com a filha do casal no Vectra que possuía numa estrada em direção à cidade de Luziânia. "Neste primeiro contato eu já me assustei com a frieza dele", conta o policial. A voz do sequestrador era de uma pessoa tranquila. "Nunca vi coisa igual", afirmou Adão.

 

Meia hora depois, Kleber disse, num segundo contato, que estava sobrevoando a Serrinha, setor nobre de Goiânia. "Não sabia que ele pilotava nem que era um doido, um potencial suicida." 

 

 

Adão imediatamente disse a Kleber que Erica, retirada do Vectra e agredida com um extintor de incêndio horas antes, não tinha morrido e passava bem. "Você (Kleber) quer saber como está a sua mulher?", perguntou o policial. Kleber respondeu sim. "Ela está bem, está no hospital, sem risco", informou Adão. Foi surpreendente, na avaliação do policial, a última frase do sequestrador durante o contato: "Então eu vou fazer uma merda pior".

 

A cúpula da PM já estava acompanhando o caso. O policial, imediatamente, conseguiu um helicóptero da corporação. Com outros quatro colegas de farda, tentou localizar o sequestrador pelos céus de Goiânia. Adão chegou a ver Kleber demonstrar três vezes que pousaria na pista do aeroporto Santa Genoveva, mas arremeter o avião. O bimotor Tupi chegou a passar a dois metros da asa de um Airbus da TAM que aguardava o embarque de passageiros. "Ele estava brincando com a gente", relata Adão. "Era um louco, premeditou, planejou tudo." 

 

  

Adão disse que teve certeza de que Kleber partiria para o suicídio quando viu o bimotor pilotado por ele deixar a área do aeroporto e seguir no rumo do Shopping Flamboyant. "Vi naquele momento que aconteceria o pior", afirma o policial. Foram 40 minutos do segundo e último contato até a queda do bimotor no estacionamento do shopping. Adão relata que não ouviu choro ou voz de Penélope nos dois telefonemas. "Fica uma dor, uma sensação muito ruim", conta. "Tentei argumentar, falei de Deus, da vida, da família, da menina, mas não tinha volta", completa. "Fui profissional até agora, segurei a barra, mas amanhã acho que vou explodir."

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