Polícia fará acareação com acusados da morte de garoto

Os cinco suspeitos de terem participado do assalto que terminou com a morte do menino João Hélio Fernandes Vieites, de 6 anos, ficarão frente a frente na tarde desta terça-feira, 13. O delegado Hércules Pires do Nascimento decidiu fazer a acareação para esclarecer alguns pontos ainda obscuros: quem dirigiu o Corsa roubado da mãe do menino e quais deles estavam no carro. João Hélio foi arrastado pelo cinto de segurança do carro por sete quilômetros depois que os assaltantes tomaram o veículo na última quarta-feira, na zona norte do Rio de Janeiro. O crime causou comoção nacional. Os cinco suspeitos são: Carlos Eduardo Toledo de Lima, de 23 anos, o irmão dele, E., de 16 anos, Tiago Abreu Matos, de 19, Diego Nascimento Silva, de 18, e Carlos Roberto da Silva, de 21. "Carlos Eduardo Toledo de Lima nega o crime. Mas outros acusados dizem que ele participou da ação e os ameaçou caso fosse denunciado. A acareação é para confrontar os que se contradizem", afirmou o delegado. Nascimento disse ainda que espera receber laudo do Instituto Félix Pacheco com o resultado da comparação das impressões digitais encontradas no Corsa de Rosa Cristina Fernandes Vieites. Pelas informações iniciais, depoimentos dos acusados e de testemunhas, o delegado acredita que Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, tenha tomado a direção do veículo. Teria sido ele que disse a um motorista que estava arrastando "um boneco de Judas". Com ele no Corsa, estariam Carlos Eduardo, de 23 anos, e o irmão, E., de 16. Tiago Abreu Matos, de 19 anos, e Carlos Roberto da Silva, de 21 anos, teriam ficado no táxi do pai de Tiago, usado para levar os assaltantes ao local do crime. "A participação de cada um ficará esclarecida na acareação", afirmou. Reconhecimento Até agora, duas vítimas de assalto a carro e moto estiveram na delegacia e informaram ter reconhecido Diego como o homem que os roubou. Os casos estão registrados na 28.ª Delegacia de Polícia (Campinho) e 33.ª DP (Realengo). Uma outra vítima, que registrou roubo de carro na 5.ª DP (Centro), ainda está sendo aguardada para fazer o reconhecimento. O delegado tem sido procurado por advogados que se oferecem para auxiliar a acusação, sem cobrar honorários. Já policiais contaram que até agora somente um advogado de defesa, chamado pela família de Tiago, esteve na delegacia. "Mas, ao saber do caso, ele desistiu", contou um policial. A polícia também tem tido dificuldades para acomodar os quatro acusados. "A informação que recebemos é de que eles foram recusados pelo seguro, pelo seguro do seguro, e até pelos evangélicos", comentou o policial, referindo-se às celas em que ficam presos ameaçados de morte. Na segunda-feira, a arquidiocese divulgou carta do arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal dom Eusébio Oscar Scheid, ao pai de João Hélio, Elson Fernandes Vieites. "Estamos perplexos e atônitos com os diversos casos de violência, que somados a este último, parecem ofuscar nossa capacidade de entendimento a cerca do sentido da vida do homem sobre a terra". Culpa do irmão Único menor entre os cinco acusados pelo assassinato de João Hélio, E., de 16, negou na segunda-feira, qualquer participação no crime. Em conversa com o delegado Hércules Pires do Nascimento, da 30ª DP, na presença do pai, Nilson Nonato Silva, o menor alegou ter assumido a culpa a pedido do irmão, Carlos Eduardo Toledo de Lima, de 23 anos, que prometeu em troca dar a ele um telefone celular. Apontado como o líder da quadrilha, Carlos Eduardo teria argumentado que E. passaria apenas dois meses em um instituto de correção. Essa é uma das contradições que levaram o delegado a fazer uma acareação nesta terça com os cinco suspeitos de terem participado do crime. Pesquisa Um levantamento do Ministério Público mostrou que o número de menores flagrados cometendo atos infracionais na zona norte cresceu quase seis vezes de 2005 para 2007. Foram comparados os meses de janeiro. Em 2005, houve 21 garotos apreendidos na região; em 2006, 57; e este ano, 123. Existem hoje cerca de 1.400 adolescentes cumprindo medidas socioeducativas no Estado, a maioria por envolvimento como o tráfico, segundo o subsecretário de Diretos Humanos, Lourival Cazula, que admite existir uma séria falta de vagas no sistema. Colaboraram Karine Rodrigues e Roberta Pennafort

Agencia Estado,

13 Fevereiro 2007 | 08h05

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