Polícia fará caça aos bandidos na região central de SP

A região central da cidade, por onde passam todos os dias 4,5 milhões de pessoas, vai ganhar ainda este mês um esquema especial de caça a ladrões, traficantes e estelionatários. A operação da Seccional Centro está sendo montada com base em um mapeamento dos pontos críticos, feito a partir das ocorrências de distritos policiais. "Vamos usar o nosso setor de inteligência e reforçar as equipes", explica o delegado seccional Mário Jordão. "Pretendemos trabalhar cada vez mais com a Polícia Militar e mandar para a cadeia o maior número de criminosos." De janeiro a novembro de 2002, os casos de furtos aumentaram 18% e os roubos, 16%, em comparação com o mesmo período de 2001. Os homicídios caíram 7% e os roubos de veículos, 33%. Já o número de furtos de veículos ficou estável. Entre os pontos que terão atenção especial estão as Praças da República e Sé; as Avenidas Ipiranga, São João, Rio Branco e São Luís; o Vale do Anhangabaú; o Parque D. Pedro II; a Estação da Luz; a Praça Júlio Prestes; a Liberdade; o Largo do Arouche e a Rua da Consolação. São locais que registraram o maior número de furtos e de roubos em 2002. As equipes formadas por delegados e investigadores estarão policiando também os pontos turísticos, como feiras, galerias, teatros e museus. Segundo Jordão, a presença ostensiva de policiais em pontos críticos é um trabalho que dá resultado. Prova disso, de acordo com ele, são as cabines da PM instaladas na Avenida Paulista e em algumas ruas do centro novo. "Os crimes caíram 70% na Paulista após a instalação dos postos fixos." Gerente de uma loja perto da Praça da República há mais de 15 anos, P.O., de 50 anos, disse estar cansado de ver pessoas sendo assaltadas. "Já vi de tudo. Cansei de chamar a polícia e ela não veio. E quando aparece os bandidos já estão longe. Só que eles voltam no dia seguinte. A polícia, não." O relato do vendedor é idêntico ao de comerciantes, bancários, ambulantes e de pessoas que passam pelas ruas do centro em direção às estações do metrô e aos pontos de ônibus. A situação é tão grave que os ambulantes da região fizeram um acordo com as quadrilhas. Dão frutas, tênis, camisetas e calças em troca de "tranqüilidade". Os motoristas de táxi também testemunham a ação dos bandidos, mas preferem não falar sobre o assunto, com medo de represálias. "Eles vivem doidos com crack ou cocaína. Matam como se matassem uma barata. Tem colega que é roubado e com medo nem procura a polícia porque é obrigado a estar aqui no dia seguinte", disse L. "Se vai ter policiamento novo é uma esperança." O delegado Jordão pretende identificar e fotografar ladrões, estelionatários, traficantes e homicidas que agem no centro. Segundo ele, os policiais serão orientados a levar para as delegacias até quem estiver no mesmo local, todos os dias, sem fazer nada. "As pessoas vão ter de justificar o que estão fazendo, mas não vamos cometer injustiça." UniãoPara melhorar o trabalho, o delegado seccional está fazendo reuniões com representantes da PM, da Guarda Civil Municipal, da subprefeitura da Sé e de associações, como Comercial de São Paulo, Viva o Centro e Paulista Viva. "A subprefeitura vai fiscalizar os bares e os pontos de comércio que funcionam sem alvarás. Vai também verificar os ambulantes sem autorização, que atraem ladrões e traficantes", explicou o delegado. "As associações nos ajudam de todas as maneiras e a guarda participará da identificação aos bandidos." A polícia dispõe de informações detalhadas sobre a ação de estelionatários, responsáveis pela venda de documentos e de celulares roubados. A seccional também vai procurar impedir os ataques dos ladrões na saída dos bancos. AmbulantesA Associação Viva o Centro vem há tempos pedindo providências à polícia e à Prefeitura contra os ambulantes que tomaram conta das ruas centrais. Numa das últimas publicações distribuídas para os comerciantes, a entidade alerta que os camelôs provocam a insegurança pessoal, estabelecem um clima de desordem e favorecem uma rotina de corrupção do agente público. Na tentativa de encontrar um meio de "limpar" o centro e e tirar os ambulantes, a associação fez diversas propostas à Prefeitura. Uma delas seria a utilização de edifícios vazios, armazéns ociosos e terrenos vagos para a instalação de núcleos ou centros de comércio popular. A associação sugeriu, ainda, para o restante da cidade, a criação de centros de comércio popular perto de troncos rodoviários, para evitar que camelôs congestionem calçadas e locais de uso coletivo. Esses locais de comércio poderiam ser mercados ao ar livre, combinando vendas, entretenimento e serviço, como os de Hong Kong e Lima. Em Brasília, o centro é conhecido como Feira do Paraguai e atrai milhares de pessoas. Violência no CentroOs crimes na cidade

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