Polícia fará escavações para tentar encontrar corpo de Eliza Samudio

Nesta quinta-feira, o primo do goleiro Bruno indicou que o corpo da modelo teria sido enterrado em um sítio próximo ao aeroporto

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2014 | 22h54

BELO HORIZONTE - A Polícia Civil mineira vai fazer escavações em um lote vago em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, nesta sexta-feira, 25, em mais uma tentativa de encontrar o corpo de Eliza Samudio, de 24 anos, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes que está desaparecida desde 2010. O local foi apontado por um primo do atleta, Jorge Rosa Sales, que já cumpriu medida socioeducativa pelo sequestro e assassinato da mulher e alegou "peso na consciência" para revelar o ponto mais de quatro anos depois do crime.

Jorge prestou novo depoimento nesta quinta-feira, 24, ao chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil mineira, delegado Wagner Pinto, na capital mineira, após ir ao local acompanhado do advogado Nélio Andrade e de uma equipe do Comando de Operações Especiais (COE) da polícia do Rio de Janeiro. Ele foi levado a Vespasiano após a divulgação de entrevista concedida à Rádio Tupi, na qual contou onde estariam os restos mortais de Eliza.

O rapaz foi o primeiro a admitir que a jovem foi assassinada, mas inicialmente alegou que após ser morta pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, a vítima havia sido esquartejada e o corpo jogado para cães. Ontem, ao depor, Jorge contou a história com alguns detalhes diferentes, apesar de manter tanto sua participação quanto a do ex-policial e a de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito de Bruno até serem presos.

"O Bola teria dado uma gravata e asfixiado ela até a morte e depois decepou uma das mãos da Eliza. Depois, segundo a versão dele (Jorge), enrolou o corpo e a mão num lençol e colocou num saco de cadáveres, preto, com zíper", disse o delegado. "Foram para um lote vago onde já havia uma cova feita, aparentemente por uma retroescavadeira. E ali foi arremessado o saco contendo o corpo da Eliza. Depois, ele, o Macarrão e o Bola teriam enterrado o corpo. Esta foi a versão que ele apresentou", acrescentou Wagner Pinto.

Segundo o policial, alguns detalhes apresentados nesta quinta por Jorge, como as características do local onde o corpo teria sido enterrado, são "bastante convergentes à versão que ele deu para a emissora no Rio de Janeiro". De acordo com o advogado do rapaz, Nélio Andrade, Jorge chorou ao chegar ao local nesta quinta. "Vamos buscar materializar essa versão dele. A experiência serve para a gente caminhar numa linha investigativa. Vejo a versão dele com certa coerência", observou Pinto, que desde o início do caso, em 2010, participou das investigações.  

Depressão. O delegado contou ainda que Jorge alegou estar com "peso de consciência" e busca "criar certo alívio" com a revelação. "Ele andava bastante angustiado, deprimido", disse. "Ele tem muito, muito arrependimento. (Mas) foi muito pressionado. Pagou pelo que fez. Agora, quer limpar a consciência e principalmente o coração", acrescentou Nélio Andrade.

Mas Wagner Pinto adiantou que uma possível localização do corpo apenas servirá para "proporcionar a materialidade total dos crimes de sequestro, cárcere e ocultação do cadáver", sem alterar a situação dos envolvidos no caso. "Praticamente tudo que já estava devidamente apurado permanece. Não há mudanças de cenário ou eventual mudança de participação de A, B ou C", explicou.

O mesmo ocorre em relação a Jorge, independentemente de a versão apresentada  ser verdade ou não. "Vamos dizer que ele esteja falando a verdade, mas o corpo não está lá porque foi retirado. Como vou comprovar isso?", indagou o delegado. Porém, mesmo sem alterar a situação dos envolvidos no caso, Pinto disse que é necessário fazer novas buscas porque "a dúvida é complicada". "Se não formos comprovar, vai ficar essa dúvida eterna e vão perguntar: por que não foram procurar?", observou.

Desde que Eliza desapareceu, em junho de 2010, foram realizadas buscas pelos restos mortais em pelo menos quatro diferentes pontos da região metropolitana de Belo Horizonte, incluindo o sítio de Bruno em Esmeraldas onde ela teria sido vista pela última vez. Ao todo, oito pessoas foram condenadas por envolvimento no caso e outro primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, foi assassinado enquanto aguardava em liberdade o julgamento pelo crime.

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