Polícia faz operação em morro do Rio e seis pessoas morrem

Seis pessoas morreram e outras duas ficaram feridas durante operação conjunta de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. O delegado da Core, Rodrigo Oliveira, disse que dois oficiais da Força Nacional de Segurança acompanharam a operação. "Eles também deram tiros." Segundo a Secretaria de Segurança (Seseg), entre os mortos, quatro eram traficantes. A quinta vítima fatal, o auxiliar de serviços gerais de supermercado Carlos Alberto da Silva Fernandes, de 47 anos, foi alvo de bala perdida e não tinha envolvimento com o tráfico de drogas, causando revolta nos moradores da favela. A sexta vítima não tinha sido identificada até às 20 horas. Ainda durante o conflito, um soldado do Bope, o cabo Marcelo Costa, foi baleado no calcanhar. Um outro morador, Maximiler Menezes de Bezerra, de 17 anos, foi atingido por uma bala de raspão na cabeça e levado para o Hospital Salgado Filho, no Méier, também na zona norte. O estado de saúde dele era grave e a polícia informou que ele não seria traficante. Inocentes Moradores do complexo carregaram o corpo de Fernandes para a rua que dá acesso à Favela da Grota e protestaram contra a violência. Acusaram soldados do Bope pelo crime e jogaram pedaços de paus e pedras contra eles. O clima ficou tenso. Os policiais dispersaram a multidão com tiros para o alto e houve correria nas imediações da favela. Familiares do auxiliar de serviços gerais estavam revoltados. A viúva Maria Celestina da Costa, de 51 anos, disse que o marido era evangélico e morreu quando saiu de casa para avisar, por meio de um telefone público, que faltaria ao trabalho por causa do intenso tiroteio, quando foi baleado na cabeça. "Ele era inocente", gritava. Parentes mostraram a carteira de trabalho de Fernandes com o registro profissional. Um policial do Bope negou a acusação dos moradores. "Esse senhor foi baleado numa área onde não houve confronto. Na verdade, os traficantes atiram sem direção e acertam os próprios moradores. Mas eles não podem protestar contra os bandidos e se viram contra a gente. É assim mesmo." Checando informações O governador do Rio, Sérgio Cabral, revelou que a operação realizada no complexo do Alemão foi para checar a informação, levantada pelo setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública, de que havia um paiol da facção criminosa Comando Vermelho naquela comunidade. Participaram da ação 40 policiais do Core e 70 do Bope. "Tinha, porque os bandidos devem ter gastos a maior parte da munição no confronto com a polícia", ironizou Cabral, dizendo ainda que "onde há armas, há drogas". Segundo ele, as incursões estão sendo feitas com base em dados do setor de inteligência. No mesmo Complexo do Alemão, policiais do Core invadiram também a Favela da Fazendinha, enquanto as equipes do Bope ocupavam a Favela da Grota, palco da mortes. Dois helicópteros fizeram vôos rasantes sobre essas duas comunidades do Complexo do Alemão. Veículos blindados também foram usados na ação. Na Fazendinha, policiais retiraram uma barricada. Na Grota, soldados apreenderam três motos. Até as 19 horas, a Secretaria de Segurança não tinha fechado o balanço da operação. Esta matéria foi atualizada às 20h19 para acréscimo de informações.

Agencia Estado,

13 Fevereiro 2007 | 17h26

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