Polícia faz operação para desmontar núcleo do PCC no DF

Ação foi feita em parceria com SP, GO e CE; 14 mandados de prisão foram cumpridos, dos quais 13 alvos já estavam encarcerados

Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2014 | 10h20

Atualizado às 14h35

BRASÍLIA - A Polícia Civil do Distrito Federal, em parceria com agentes de três estados, desarticulou nesta sexta-feira, 7, um núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuava em Brasília e em cidades do entorno, sob ordens de  integrantes da organização detidos nos presídios de Belém 1 e Parelheiros, em São Paulo.

Quatorze mandados de prisão preventiva foram cumpridos, dos quais 13 tinham como alvos integrantes do grupo que já estavam encarcerados. As autoridades vão pedir à Justiça a transferência dos envolvidos - inclusive da cúpula paulista - para unidades federais de segurança máxima e a inclusão de todos no regime disciplinar diferenciado (RDD).
   
De acordo com as investigações, o PCC dividiu o País em "DDDs" e já teria presença em cadeias de ao menos 13 unidades da federação. A "filial" candanga se formou em presídios de cidades goianas pobres muito próximas da Brasília oficial, como Águas Lindas de Goiás e Luziânia. Atuava principalmente no tráfico de drogas, além de furtos e roubos para financiar a compra de carregamentos de armas e entorpecentes vindos do Paraguai, Bolívia e Peru. Há a suspeita de que os criminosos também têm envolvimento na explosão de caixas eletrônicos.

Nos últimos meses, um carregamento de uma tonelada de maconha, importada pelo grupo, foi apreendida no Distrito Federal. A operação desta sexta, batizada de Tabuleiro, foi posta em curso porque o grupo planejava para a semana que vem o resgate de dois integrantes que estão no presídio de Águas Lindas de Goiás.

A facção do Centro-Oeste recebeu o nome de Paz, Liberdade, Direito (PLD) e copia a estrutura, a hierarquia e os rituais da nave-mãe paulista. Para se associar, é necessário ter um padrinho na organização, que responde pelos atos do afilhado no crime. Deve-se seguir à risca o estatuto da "matriz", sob pena de julgamento pelos chefes. Os aceitos ganham matrícula e proteção. Para financiar ações criminosas, bancar famílias de companheiros presos e pagar propina a agentes públicos em presídios, pagam mensalidade ("cebolas") de R$ 400 e rifas de R$ 30. Nesta sexta, dez contas bancárias usadas para receber o dinheiro foram bloqueadas. 

A Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) do Distrito Federal, com apoio de agentes de Goiás, Ceará e São Paulo, identificou 27 integrantes. Na tarde desta sexta, quatro ainda estavam foragidos. Os demais serão alvos de ações nos próximos dias, a depender das investigações. Houve buscas em ao menos nove locais. Nos presídios paulistas, foram apreendidos celulares. 

O delegado Fábio Souza, chefe da Deco, adiantou que as autoridades de cada estado vão pedir a transferência dos presos às respectivas varas de execuções penais. A partir daí, o "bonde" para presídios federais terá de ser negociado com o Ministério da Justiça. O objetivo é que os integrantes fiquem ao menos um ano nas unidades, com possibilidade de prorrogação por igual período. 

Questionado, ele afirmou, sem dar detalhes, que estão sendo tomadas em todos os estados envolvidos precauções para evitar rebeliões e ataques em represália ao eventual  encaminhamento dos chefes da organização. "Não queremos nenhum deles aqui. Esperamos que o Judiciário rapidamente se manifeste", disse, acrescentando que o grupo montou uma cadeia de comando e tem planos de expansão.

Facção. Pedro Antônio da Silva Júnior, o Jovem, preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém 1, na zona leste de São Paulo, Rafael Nogueira Moraes, o Ramires, que cumpre pena em Parelheiros, na zona sul, e José Humberto da Silva, o Trovão, detido em Fortaleza, são apontados como os chefes do PCC que davam ordens à célula do Distrito Federal.

Segundo os investigadores, os três mantinham contato por meio de advogados e visitantes com Marcos Willians Camacho, o Marcola, principal líder da facção no Brasil, hoje preso na Penitenciária de Presidente Venceslau, em São Paulo. 

Preso em Luziânia, em Goiás, José Flávio Félix Barbosa, o Paraíba, coordenava os presidiários, impondo a disciplina do PCC. Da mesma unidade, Márcio Jesus de Souza, o Bitrem, atualizava os cadastros de novos integrantes. Do presídio de Águas Lindas, também em Goiás, Sirlon Francisco Nunes, o Simbá, chefiava as ações de rua e Marco Junio Evangelista da Silva, o Ferrugem, era o "sintonia geral dos gravatas", ou seja, tratava dos advogados da facção.

Do lado de fora, José Dalmo Xavier de Moura, o Deboa, era o "sintonia geral do progresso". Em outras palavras, cuidava da expansão, recrutando novos integrantes. Ele foi único alvo de mandado que já não estava na cadeia. Abaixo deles, movendo as engrenagens do PCC candango, estavam os "irmãos do sistema", como são chamados os presos da facção, e os "irmãos de rua".

Os presos vão ser indiciados por integrar organização criminosa, crime cuja pena prevista varia de 8 a 20 anos de prisão.

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