Polícia faz sua maior blitz em favela de São Paulo

Depois de dez dias de investigações do seu serviço de inteligência, o Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro) fez nesta quinta-feira uma megaoperação na Favela do Jardim Pantanal, na divisa de São Paulo com Diadema. A favela é a mesma para onde bandidos levaram o prefeito de Santo André Celso Daniel, após seu seqüestro, em 18 de janeiro. Segundo as autoridades, foi a maior blitz da história da Polícia Civil. Ela ocorreu dois dias após uma ação inédita da Polícia Militar, em Sorocaba, que mobilizou 100 policiais e terminou com 12 bandidos mortos.O Demacro empregou na blitz 400 veículos e 1.200 homens das seccionais de 38 municípios da região metropolitana - com exceção de São Paulo. Eles prenderam 15 pessoas, apreenderam armas e drogas e descobriram três supostos cativeiros.Mandado de buscaOs policiais tinham mandado de busca e apreensão, que lhes autorizava a entrar nas 10 mil residências da favela, expedido pelo juiz-corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), Maurício Lemos Porto Alves. Eles iniciaram a operação às 6 horas e a encerraram às 13 horas. Comandados pelo delegado Antônio Chaves Martins Fontes, diretor do Demacro, vasculharam 3.871 imóveis, entre casas, lojas, bares e construções abandonadas.Segundo o delegado Clóvis Ferreira de Araújo, coordenador do Centro de Inteligência do Demacro, três dos detidos eram procurados pela Justiça. Quanto aos demais, a polícia autuou em flagrante por receptação, porte de armas, tráfico de drogas, corrupção de menores, desacato e extorsão.MenoresOs delegados que participaram da blitz também lavraram um ato infracional, equivalente ao flagrante, mas utilizado quando os acusados são menores. Num barraco da favela, policiais detiveram um garoto de 13 anos, e a namorada, de 12. "Com eles encontramos maconha e um revólver", disse Araújo. "Eles foram encaminhados ao Juizado de Menores."No balanço final da operação, a polícia contabilizou a vistoria de 2.126 veículos, dos quais 6 acabaram sendo apreendidos - eles haviam sido roubados ou estavam em situação irregular, com numeração de chassi adulterada, por exemplo. Houve ainda a apreensão de 18 armas, 133 pedras de crack, 138 trouxinhas de maconha e 20 papelotes de cocaína.CativeirosNum dos cativeiros a polícia encontrou uma agenda com nomes de pessoas que poderiam ser seqüestradas. Nos outros dois havia documentos roubados, como cédulas de identidade, um cartão de crédito e um radiotransmissor, capaz de operar na freqüência da polícia. Os policiais levantaram ainda informações sobre pessoas capazes de indicar o paradeiro de Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro,acusado de liderar o seqüestro de Daniel.O secretário-adjunto de Segurança, Marcelo Martins de Oliveira, disse que, durante dez dias, policiais infiltrados na favela investigaram locais suspeitos. "Acabamos com o mito de que há lugares em São Paulo em que a polícia não entra." Pouco acostumada a ver a polícia na região, a população da favela aprovou a operação. "Polícia por perto sempre é bom" disse o mestre de obras Verinaldo dos Santos Silva. "Mas hoje eles só querem resolver o lado deles. Nós vivemos no esquecimento."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.