Polícia fecha 4 rádios piratas na zona norte

Em Brasília, aviação geral cobra ministro, que defende sistema digital

ÉLVIS PEREIRA e TÂNIA MONTEIRO, O Estadao de S.Paulo

09 Agosto 2008 | 00h00

Policiais civis do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 4ª Seccional-Norte de São Paulo desmantelaram ontem quatro rádio piratas na capital. Acompanhados de quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os investigadores conseguiram rastrear os sinais e apreenderam os transmissores e antenas. Já em Brasília, numa reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) pediu uma solução para a interferência desse tipo de rádios no contato entre pilotos e torres de controle. Segundo o delegado Fábio Antonio Bolzani, titular do SIG, as investigações começaram há dois meses. Após identificar as rádios e rastreá-las, a polícia ainda gravou o áudio das quatro, antes de fazer apreensões. Ninguém foi preso porque os estúdios não ficam no mesmo local em que estavam os aparelhos encontrados. "Sem os transmissores, as rádios não podem mais funcionar. E um equipamento desses custa, no mínimo, R$ 30 mil", explicou Bolzani. O delegado ressaltou que os operadores costumam procurar a zona norte para instalar seus aparelhos porque a área é privilegiada pela altura - permitindo um maior alcance do sinal. No dia 1º deste mês, outras cinco emissoras clandestinas haviam sido fechadas no Jardim Guarujá, zona sul de São Paulo. Uma das emissoras fechadas ontem era transmitida em espanhol e direcionada aos bolivianos que vivem em São Paulo. As investigações da polícia prosseguem para descobrir quem alugou os terrenos onde estavam os aparelhos e aonde funcionam os estúdios das rádios. Os responsáveis deverão ser indiciados pelo artigo 183 da Lei 9472/97, por manutenção de rádio clandestina. Em caso de condenação, a pena varia de 2 a 4 anos de prisão. Segundo estimativa feita pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a capital tem cerca de 2 mil rádios irregulares, de um total de 12 mil clandestinas no País. Com pouco mais de R$ 2 mil é possível montar uma emissora cuja transmissão alcança 1 quilômetro. Na região metropolitana, a Anatel fechou 94 rádios ilegais em 2007. BRASÍLIA Na reunião com a aviação geral (mais informações na página C15), Jobim observou que uma das soluções seria a comunicação digital entre pilotos e controladores. Como o Estado revelou, em março, a Força Aérea Brasileira (FAB) está investindo R$ 60 milhões na modernização das estações de trabalho dos controladores de tráfego e em novos softwares que permitem a troca de dados via satélite. Na prática, isso permitirá aumentar a capacidade de monitoramento. Numa segunda etapa, os novos soft-wares permitirão que pilotos e controladores se comuniquem por mensagens de texto (em um formato semelhante ao MSN).

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