Polícia fecha shopping no Brás

Proprietário alega que não recebe aluguel desde novembro; comerciantes tiveram mercadorias apreendidas

Felipe Oda, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2009 | 00h00

A Justiça de São Paulo determinou ontem o despejo dos lojistas que trabalhavam no APA Center Brás, shopping popular na região central de São Paulo, por falta de pagamento do aluguel. A dívida seria de R$ 300 mil, segundo Wadhi Hiar, proprietário do imóvel.No prédio, localizado na Rua Monsenhor Andrade, trabalhavam cerca de cinco mil pessoas em 600 lojas, de acordo com Acácio Novaes dos Santos Lago, proprietário da APA Administradora de Empreendimentos de Bens, empresa que administra o shopping e subloca o espaço.Comerciantes que chegavam ao trabalho, por volta das 3h30, foram surpreendidos pela ação, que contou com oficiais de Justiça e policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE). Vinte e oito caminhões cheios de mercadorias foram apreendidos. Até mesmo os lojistas com recibo de pagamento do aluguel e nota fiscal dos produtos tiveram os bens confiscados."Fui pego de surpresa. Eu pago impostos e o aluguel. Não devo nada", afirmou o comerciante Gilberto da Silva, de 36 anos. Ele calcula ter perdido R$ 20 mil em produtos. Prejuízo bem menor do que os R$ 60 mil calculados pela artesã boliviana, Elena Mamani Baltazar, de 31 anos. "Fora o dinheiro que levaram dos caixas das lojas e aparelhos eletrônicos pessoais", acusa. O proprietário Hiar alegou que desde novembro de 2008 não recebe os R$ 65 mil mensais de aluguel de Lago, o locatário, para entrar com a ação. "Ele também deve contas de água e luz e sabia da ação de despejo", disse. Já para o administrador do shopping, as informações são "infundadas e caluniosas". "Tenho documentos que comprovam o depósito em juízo dos aluguéis", disse Lago.O advogado dos lojistas, Benedito Maria Júnior, quer comprovar que Lago recebia o valor das sublocações e não efetuava o pagamento da locação do imóvel. "A APA sabia da ação de despejo e não avisou os meus clientes." Além de reclamarem da administradora, os comerciantes também questionam a ação dos oficiais de Justiça. "Misturaram mercadorias de lojistas , não avisaram para onde as levaram e nem como podemos resgatá-las", afirmou o comerciante Luciano Fernandes. Um papel afixado na porta de entrada do estabelecimento indicava aos comerciantes um endereço no Pari para onde os produtos deveriam ser levados. A reportagem foi até o local, mas não encontrou nada. "Por ordem judicial não podemos revelar o endereço correto", explicou Flávio Ferreira, depositário da Justiça.

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