Polícia Federal intima três envolvidos no caso da ex-ministra

Israel Guerra e Saulo, dois filhos de Erenice, também devem ser ouvidos, mas até agora não foram localizados

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

A Polícia Federal intimou ontem para prestar esclarecimentos três personagens centrais do esquema de tráfico de influência e corrupção na Casa Civil. O caso derrubou a ex-ministra Erenice Guerra e causou crise no governo às vésperas da eleição presidencial.

Às 10h30 de hoje será ouvido o empresário Fábio Baracat que, segundo reportagem da revista Veja, acusou Israel Guerra, filho da ex-ministra, de cobrar "taxa de sucesso" e pagamentos mensais de R$ 25 mil, para ajudar a empresa de transporte aéreo MTA a ampliar seus negócios nos Correios.

Às 14h30, o depoimento será do ex-chefe de Operações dos Correios Arthur Rodrigues Silva, suspeito de ser testa de ferro do argentino Alfonso Rey, que vive em Miami e seria controlador oculto da MTA, conforme reportagem publicada pelo Estado no domingo.

Amanhã será vez de Vinícius Castro, o primeiro a pedir demissão da equipe de Erenice, explicar a acusação de que era operador do esquema e teria recebido propina de R$ 200 mil como "cala boca" pela compra emergencial de Tamiflu, remédio usado contra a Gripe H1N1.

A PF tem as intimações prontas de Israel e do outro filho de Erenice, Saulo Guerra, em cujo nome foi registrada a Capital Assessoria, empresa de lobby usada na intermediação dos negócios de empresários com o governo. O objetivo era ouvi-los também na sexta-feira, junto com Vinícius, mas nenhum dos dois foi encontrado. Na casa de Israel, a informação era de que ele estava em Goiânia, tratando de assuntos pessoais. A residência de Saulo está fechada há dias.

Caso não sejam localizados nas novas tentativas, a PF poderá usar o recurso da condução coercitiva (à força), mas antes será tentado acordo com seus advogados. O depoimento de Israel é considerado essencial para esclarecimento do caso. Segundo informantes citados pela revista, ele agia usando o nome da mãe para conseguir comissões em negócios de empresários com órgãos públicos.

Ele teria até ajudado a MTA a renovar sua licença de voo na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com seu auxílio, a empresa teria obtido nos Correios contratos no valor total de R$ 59,8 milhões.

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