Polícia Federal pede inquérito contra secretário

Gravações de conversas telefônicas entre Tuma Júnior e o suposto líder da máfia chinesa estão sob segredo de Justiça

, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2010 | 00h00

A Polícia Federal informou ontem que a Corregedoria Regional da Superintendência da corporação em São Paulo deu parecer favorável, em fevereiro, à abertura de inquérito para investigar as denúncias envolvendo o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.

Segundo a PF, os indícios reunidos ? como as gravações de conversas telefônicas entre Tuma Júnior e Li Kwok Kwen, o Paulo Li, apontado como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo ? estão sob segredo de Justiça.

O relatório da corregedoria foi enviado à 3.ª Vara Criminal Federal. A Justiça informou que os autos seguiram para a Procuradoria da República. Até ontem o procurador Marcos José Gomes Corrêa, que atua no caso, não havia recebido autos específicos sobre a ligação de Li com Tuma Júnior.

"Os diversos indícios sobre o possível envolvimento do secretário constam de diferentes procedimentos", destaca nota divulgada pela PF. "Dessa forma, a PF depende de autorização judicial para uso do material visando à instauração de inquérito policial específico para apurar a prática, em tese, de crime contra a administração pública."

A PF assinalou que Tuma Júnior não era alvo de nenhuma operação, mas que outros investigados caíram no grampo telefônico autorizado judicialmente. Um deles é policial federal e assessor do secretário afastado. A interceptação pegou o policial e Tuma Júnior. "Durante o monitoramento dos investigados foram registrados frequentes diálogos telefônicos entre estes e o secretário", diz a PF.

Inquéritos. A operação Wei Jin, que prendeu Li em caráter preventivo, resultou na abertura de dois outros inquéritos pela PF em São Paulo. Aberto a pedido da juíza federal Letícia Dea Banks Ferreira Lopes, da 3.ª Vara Criminal, o primeiro está registrado como estelionato e apura a atuação de Li em favor de imigrantes ilegais chineses, supostamente com uso de documentos falsos nos processos de anistia.

O outro inquérito apura suspeita de advocacia administrativa contra o agente federal cedido para a Secretaria Nacional de Justiça. A PF revela que, em setembro de 2009, Tuma Júnior procurou espontaneamente a corporação e prestou depoimento sobre suas relações com Li.

Segundo a PF, "a análise do conjunto de indícios existentes contra o secretário nas investigações foi concluída pela Corregedoria Regional em São Paulo em fevereiro de 2010, com parecer favorável à instauração de inquérito policial".

A Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou, na última sexta-feira, procedimento preliminar no qual foram solicitadas informações ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, "sobre providências já adotadas, bem como o encaminhamento à CGU dos relatórios e demais informações de que disponha" sobre o caso.

Segundo o ministro Jorge Hage, "a CGU está aguardando a manifestação do ministro da Justiça, que tem a competência originária para o caso e certamente está avaliando as medidas mais adequadas"./ MARCELO GODOY, FAUSTO MACEDO e BRUNO TAVARES

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