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Polícia Federal prende no Recife líder da máfia italiana Camorra

Condenado à prisão perpétua pela Justiça de seu país, Pasquale Scotti estava foragido há 29 anos e usava identidade falsa

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 10h44

Atualizada às 21h07

BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira, 26, no Recife o italiano Pasquale Scotti, de 56 anos, um dos mafiosos mais procurados pela Itália. Acusado de ser o ex-chefe do braço armado da Nova Camorra Organizada, um dos grupos da máfia napolitana, e de ter cometido 26 assassinatos, ele estava foragido havia 29 anos. Vivia com a identidade falsa de Francisco Visconti, um empresário de hábitos simples. 

“A prisão dele é considerada a mais importante entre os fugitivos até hoje. É um dos mais perigosos fugitivos italianos que ainda não tinha sido preso”, afirmou Genaro Capulongo, diretor na Interpol na Itália, em entrevista em Brasília. 

O Brasil chegou ao mafioso com base em informações da polícia italiana. Uma investigação naquele país levantou suspeitas de que dez pessoas estariam vivendo no Brasil e teriam ligações com a máfia. Com o avanço das apurações, o cerco se fechou em torno de Scotti. A PF no Brasil conseguiu chegar à verdadeira identidade do italiano comparando impressões digitais. O Estado apurou que Scotti recebia anualmente uma pessoa que lhe traria informações sobre a atividade da máfia, embora já estivesse “aposentado”. A PF vai investigar se era sustentado pelos mafiosos. 

No depoimento à PF no Recife, Scotti não comentou sobre seu envolvimento com a Camorra. Admitiu, contudo, que ingressou no Brasil por volta de 1986 e quando já estava aqui comprou RG, CPF e um passaporte falso. O acusado contou aos policiais que fugiu da Itália quando estava sendo processado criminalmente, por medo de morrer, e não havia condenação definitiva. Ele afirmou que não saberia dizer quais os fatos que levaram à sua condenação. 

Scotti decidiu ficar no Brasil após conhecer outro italiano, um empresário aposentado, e constituir uma importadora. O acusado disse que trabalha agora como funcionário de uma fábrica de fogos de artifício. 

Família enganada. Segundo a Interpol, Scotti escondeu até mesmo da mulher brasileira e dos dois filhos a verdadeira identidade. Ao ser detido, após deixar as crianças na escola pela manhã, disse aos policiais que “Pasquale não existe mais. Eu sou só o Francisco”. 

“Ele tinha uma vida de empresário, não ostentava riqueza”, afirmou o chefe da Interpol no Brasil e delegado da PF Valdecy Urquiza Junior. Segundo ele, o italiano aparentemente passou por cirurgias estéticas. “Disse em depoimento que fazia questão de esquecer do passado.”

O Ministério da Justiça da Itália foi notificado da prisão pelo governo brasileiro e tem 40 dias para solicitar extradição. A decisão final sobre a expulsão caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF). O réu será transferido hoje da superintendência da PF em Pernambuco para a de Brasília, onde aguardará preso a decisão sobre seu destino.

Scotti é o 15.º estrangeiro preso pela Interpol no País neste ano. “Queremos deixar claro que o Brasil não é opção de refúgio tranquila”, disse Urquiza. / COLABOROU MONICA BERNARDES, ESPECIAL PARA O ESTADO

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