Ação da polícia para evitar resgate de presos no MA deixa 3 mortos

Policiais invadiram casa perto do Complexo Penitenciário de Pedrinhas onde criminosos articulavam a libertação de comparsas

Diego Emir, Especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2015 | 19h05

SÃO LUÍS - A Polícia Militar do Maranhão afirma ter frustrado, na madrugada deste domingo, o plano de criminosos que tentariam resgatar presos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, que fica às margens da BR-135, na saída da capital, São Luís. Segundo a corporação, policiais invadiram uma residência próxima, onde estava o bando, houve confronto e três bandidos morreram.

De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Militar do Maranhão, uma equipe do Serviço de Inteligência (SI) da corporação descobriu o plano de resgate e policiais foram enviados à casa onde a ação era planejada, no povoado de Camboa dos Frades, na Vila Maranhão, perto do presídio. 

Assim que chegaram ao local, os policiais perceberam que um veículo fazia a segurança da área. Segundo a PM, um dos criminosos começou a atirar contra a polícia, que reagiu. Mais duas pessoas saíram da casa e passaram a disparar. Os três foram baleados e chegaram a ser socorridos, mas não resistiram.

Edmilson Gomes da Silva, de 29 anos, Abraão Gomes da Silva, também de 29, ambos de Teresina (PI), e um terceiro homem ainda não identificado pela polícia morreram.

De acordo com Marco Antônio Terra Schutz, chefe da assessoria de comunicação da PM do Maranhão, é provável que o alvo do resgate sejam prisioneiros envolvidos em assaltos a bancos. A afirmação do militar é baseada no armamento apreendido com os suspeitos. Foram encontrados duas escopetas de calibre 12, duas pistolas .40, uma submetralhadora 380, 99 munições de calibre 12, 40 munições de .40, oito explosivos e um carro com placa clonada do Piauí, além celulares. Schutz afirma que outros criminosos devem estar envolvidos na ação de resgate.

Na manhã deste domingo, foi aberta um inquérito para investigar se se há envolvimento de militares, agentes carcerários ou outros funcionários do sistema prisional na tentativa de fuga.

Recorrente. Em abril deste ano, quatro homens foram resgatados de Pedrinhas por oito homens armados. Eles aproveitaram uma falha na cerca elétrica do muro e utilizaram uma corda e uma escada para fugir, com escolta do grupo armado, que atirava com fuzis contra as guaritas de segurança do Posto da Polícia Rodoviária Federal, que fica a menos de um quilômetro da prisão.

Na sexta-feira, o Tribunal de Justiça do Maranhão concedeu um indulto para que 337 prisioneiros passassem o feriado do Dia da Criança em casa. Em média, cerca de 20% dos presidiários que recebem o benefício não retornar ao complexo.

O Complexo Penitenciário de Pedrinhas é conhecido dentro e fora do País por rebeliões, fugas, tortura e mortes de detentos. Em junho, o local foi vistoriado por quatro entidades de proteção aos direitos humanos, que denunciaram diversas violações, como uso de balas de borracha e gás de pimenta por parte dos agentes para "controlar" os presos e a realização de banho de sol apenas uma vez por semana. Em agosto, foi a vez de o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) visitar o local.

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