Polícia identifica seqüestradores de família

A Polícia Civil de Araraquara já identificou pelo menos seis integrantes da quadrilha responsável pelo seqüestro, na madrugada de sábado, de sete familiares do diretor da Penitenciária de Araraquara, Leandro Pereira. Sob as ameaças dos seqüestradores, o diretor foi obrigado a libertar cinco presos, dois deles chefes e outros dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), em troca da libertação de seus parentes. "O quinto fugitivo não tem nada a ver com a história e foi levado para ajudar a planejar ou executar a fuga de outros integrantes do grupo", disse o responsável pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araraquara, Gerson Guido Mattiolli.Os familiares de Pereira foram mantidos num cativeiro na cidade de São Carlos, no bairro de Vila Nery, a 38 km de Araraquara. Para que fossem soltos, o diretor colocou os presos numa perua Kombi do presídio e dirigiu até a Rodovia Washington Luís. Ali, Márcio Evaristo, o Nenê, e Alexandre Sandorf, ambos chefes do PCC, Luiz Carlos Bento Tavares e Edson do Nascimento, assaltantes de banco e integrantes do grupo, e Jadiel Lourenço da Silva, que cumpria pena por assalto, escaparam."O bando que seqüestrou a família é formado por pelo menos oito, e já temos a identidade de seis, graças à nossa rede de informações", disse o delegado. Ele não revelou a identidade dos criminosos e nem o local onde os mesmos estariam escondidos, para não atrapalhar as investigações. A polícia, até a noite desta segunda-feira tambem não tinha recapturado nenhum dos presos fugitivos."Bem informados"Os bandidos que seqüestraram a família, segundo o delegado, eram muito bem informados. "Eles sabiam da vida de toda a família e, inclusive, mostraram às vítimas fotos da própria família, de dois, três meses atrás", revelou. "O chefe do bando também conhecia a rotina da penitenciária, e só presos sabem disso."Mattiolli também apurou que os presos fugitivos tinham livre acesso a celulares dentro da penitenciária. "O Leandro contou que, logo que eles entraram na Kombi, no caminho para a estrada, eles já saíram falando num celular. "O Márcio Evaristo, um deles, que é do PCC, inclusive já sabia que iria ser transferido de cadeia." Na quinta-feira, policiais interceptaram um celular que, envolto em almofadas, foi atirado do lado de fora das muralhas para o pátio do presídio.O diretor Leandro Pereira permaneceu durante toda esta segunda-feira no interior da cadeia e durante a tarde recebeu a visita do corregedor-geral do sistema prisional, Clayton Alfredo Nunes. Ao chegar pela manhã, dirigindo uma viatura da penitenciária, Pereira irritou-se com jornalistas que estavam em frente à penitenciária. Já o corregedor chegou por volta das 15h e foi embora às 18h30, depois de tomar depoimentos de funcionários e presos. Saiu rapidamente, negando-se a dar entrevistas.TraumaCláudio Pereira, irmão do diretor do presídio, disse que a família está muito abalada e sob cuidados médicos, principalmente os pais, Manuel Pereira, de 72 anos, e Maria Pacífico Pereira, de 68. Eles foram rendidos em casa, quando um dos seqüestradores, disfarçado de carteiro, simulava a entrega de uma encomenda. Depois, os bandidos foram até o apartamento onde moram o cunhado e a irmã do diretor, a duas quadras dali, e ali renderam o restante da família."Está todo mundo desesperado, esperando que esse pesadelo acabe", disse Cláudio. Por ser o único parente que não reside na cidade, ele escapou do seqüestro.O irmão do diretor estava revoltado com o fato de os seqüestradores terem amarrado uma criança de 9 anos de idade, parente do diretor. "Além disso, encostaram um revólver na cabeça da minha mãe." Uma bebê de 7 meses, sobrinha de Pereira, também ficou no cativeiro.

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