Polícia interdita casa de câmbio por onde desaparecida passou

A chinesa Ye Guoe, de 35 anos, sumiu depois de trocar R$ 220 mil em casa de câmbio na Barra

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2008 | 08h29

A Polícia Civil interditou a agência Zaav Câmbio e Turismo no Shopping Downtown, na Barra, onde a chinesa Ye Guoe, de 35 anos, trocou R$ 220 mil por US$ 130 mil, momentos antes de desaparecer, na quinta-feira. O taxista C., último a vê-la, prestou na segunda-feira, 21, depoimento ao delegado Rafael Willief e foi encaminhado para fazer o retrato falado de um suspeito. Segundo o taxista, Ye Guoe embarcou dentro do shopping. Estava nervosa e pediu para ir ao centro. Pouco adiante, o carro foi parado por quatro homens em um Palio Weekend com características da Polícia Civil (modelo recebido para a segurança dos Jogos Pan-Americanos). "Um homem apresentou um distintivo semelhante ao usado pela Polícia Civil e disse que precisava levá-la para prestar depoimento sobre uma investigação", afirmou Willief. Conforme o delegado, apesar de Chen Chien Hou, marido de Ye Guoe, dizer que ela trabalhava como camelô, a polícia identificou na Junta Comercial uma empresa de exportação e importação no nome dela. Willief quer saber como uma ambulante casada com um homem que diz trabalhar numa pastelaria conseguiu juntar R$ 220 mil.  Danilo Santos, um homem que se apresentou como advogado do chinês, disse que Chen Chien supervalorizou a quantia que teria sido trocada "para aumentar o empenho da polícia na busca". O delegado diz não acreditar nessa versão. Ele afirmou que no primeiro depoimento o chinês foi muito tranqüilo ao revelar a quantia, mas se assustou ao ser indagado sobre a origem do dinheiro.  Willief descobriu a casa de câmbio ao consultar imagens registradas pelas câmeras do circuito interno do shopping. As imagens mostram um grupo de chineses, entre eles Chen Chien e o dono da casa de câmbio, na administração do shopping, solicitando imagens das câmeras, antes de o marido registrar o desaparecimento. O proprietário, cujo nome não foi divulgado, negou que Ye Guoe tenha trocado dinheiro. Disse que ela entrou apenas para beber um copo de água. Equipes da Corregedoria da Polícia Civil participam da investigação para averiguar se há realmente policiais envolvidos.

Tudo o que sabemos sobre:
desaparecimento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.