Polícia interroga carpinteiro que reformou barco naufragado

O carpinteiro autônomo Marcelo Corrêa de Oliveira, de 36 anos, disse nesta terça-feira à polícia que foi contratado pelo dono do Tona Galea, Norberto Guimarães da Silveira, para reformar a embarcação, que naufragou no último sábado, matando 12 pessoas e deixando três desaparecidas.A obra ocorreu entre setembro e dezembro de 2001 e seu objetivo, segundo o carpinteiro, era alterar as características originais do barco. O carpinteiro admitiu saber que era obrigatória a presença de um engenheiro naval para a realização da reforma e disse também que não seguiu projeto algum, baseando-se apenas em sua experiência, tendo cobrado R$ 11 mil pelo trabalho. Oliveira entregará à polícia uma lista, que disse ser extensa, com os nomes de todos os barcos que reformou na região. O galpão usado para as reformas e que não tinha alvará de funcionamento foi lacrado pela polícia. O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura (Crea) do Rio, Reynaldo Barros, tenta descobrir o nome do profissional que teria assinado o projeto de reforma do Tona Galea. Ele reclamou dos engenheiros que assinam projetos apenas para viabilizar sua aprovação, os "canetinhas", na linguagem dos fiscais. "Esse engenheiro pode ser até cassado", advertiu.O marinheiro Ângelo Márcio Pinto Tavares, auxiliar de Norberto, disse á polícia que a viagem estava tranqüila até o regresso da Ilha dos Papagaios, onde o Tona Galea parara para os turistas mergulharem. Tavares servia frutas aos passageiros quando uma onda atingiu o barco por trás, fazendo com que adernasse. Todos os passageiros ficaram sob a embarcação.

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