Polícia interroga de novo filha de casal assassinado

Suzane Louise, de 19 anos, completados neste domingo, filha do casal Manfred Albert e Marísia von Richthofen ? assassinado na madrugada do dia 31 ?, prestou neste domingo o segundo depoimento aos policiais do Departamento de Homícidios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O interrogatório, para tirar dúvidas sobre eventuais contradições, durou cerca de duas horas.A ex-empregada da casa também foi ouvida e negou participação no crime. As afirmações dela convenceram os policiais. Manfred, que ocupava o cargo de diretor de Engenharia da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), e Marísia, que era psiquiatra, foram assassinados a pauladas, em casa ? uma mansão no Campo Belo, na zona sul de São Paulo. A casa não tinha sinais de arrombamento.Nesta segunda-feira, o procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, designou dois promotores ? Virgílio Antônio Ferraz do Amaral, 6ª Promotoria Criminal, e Marcelo Milani, do 1º Tribunal do Júri ? para acompanhar a investigação do crime. A explicação de Marrey para a designação de dois promotores para acompanhar a apuração foi a repercussão do caso e o mistério em torno de sua autoria.Em contrapartida, neste domingo, a polícia encontrou o corpo de Clécio Mário Corrêa, de 23 anos, no banheiro de um bar, no Jardim Herculano, periferia da zona sul. A vítima foi morta a tiros e não havia pista dos assassinos. Para este caso, registrado no 100º Distrito Policial, nenhum promotor foi designado. A investigação também está a cargo do DHPP.TestemunhasO DHPP já ouviu 20 pessoas no inquérito sobre o assassinato. A ex-empregada das vítimas, que segundo amigos da família havia sido demitida por Marísia e ligava freqüentemente para pedir o emprego de volta, foi ouvida pela polícia, assim como o marido dela. Ambos estão desempregados e os policiais já não acreditam em sua participação.Outra hipótese, a de latrocínio (roubo seguido de morte), também é considerada pelos policiais. Os filhos do casal, Suzane e Andreas Albert, de 15 anos, disseram que sumiram da casa US$ 5 mil e R$ 8 mil, que eram guardados numa caixa, na biblioteca.Assassinos conheciam a casaNaquele dia, Suzane deixou o irmão num cybercafé e saiu com o namorado, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21 anos. O fato de não ter havido arrombamento, de os bandidos não terem levado outros pertences de valor ? incluindo carros ? colocam em dúvida a hipótese de latrocínio. Para o DHPP, os assassinos conheciam bem a casa.Os policiais também investigam o relacionamento de Suzane com Daniel. O namoro não tinha a aprovação dos pais dela, principalmente da mãe. Manfred ? além de sobrinho-neto do lendário aviador alemão "Barão Vermelho" ? era um dos homens fortes do ex-secretário de Transportes Michael Paul Zeitlin. Por ocupar cargo de direção na Dersa, teve sua declaração de bens publicada no Diário Oficial. Ex-empregadaA ex-empregada do casal estava sendo procurada desde a semana passada, quando o casal foi encontrado morto na madrugada pelos filhos. Ela trabalhou apenas por um mês na casa, mas foi considerada suspeita porque teria ligado insistentemente para Marísia pedindo seu emprego de volta.A Secretaria de Segurança Pública não confirma, mas informações extra-oficiais de policiais que trabalham no caso é de que a participação da mulher no crime está quase descartada. Eles aguardavam nesta segunda à tarde o retorno de uma diligência para abandonar essa hipótese nas linhas da investigação.Depoimento da filhaA filha do casal assassinado foi ouvida pelo delegado Armando de Oliveira Costa Filho, titular da 1ª Delegacia e responsável pelo inquérito. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a polícia quis ouvi-la novamente para esclarecer eventuais dúvidas deixadas no primeiro depoimento, mas a garota teria repetido as mesmas declarações de antes.Uma das questões que ela teria esclarecido é o motivo de não ter informado a polícia que, na noite do crime, após deixar o irmão num cybercafé, retornou à sua casa com o namorado, Daniel Cravinhos de Paula Silva, de 21 anos, para buscar dinheiro para ir ao motel comemorar o aniversário.Nessa passagem pela casa, ela teria dito ao irmão que conversou com os pais. Essa informação teria sido dada à polícia por Andreas. A nomeação de promotores de setores diferentes foi justificada pelo fato de a polícia ainda não saber se o crime contra o casal Von Richthofen foi um duplo homicídio ou latrocínio. As duas alternativas são investigadas. LaudoO DHPP aguardava um laudo preliminar do Instituto de Criminalística que deverá apontar quais adulterações ocorreram no local do crime e estimar o horário em que o casal foi assassinado.No dia do crime, uma série de detalhes chamou a atenção dos peritos. O assassino não arrombou a porta da casa e usou a arma do engenheiro, que foi localizada ao lado da cama. O casal foi morto com golpes no topo da cabeça. Na testa do casal, havia marcas de cano de revólver. O bandido apontou a arma, mas não atirou. Manfred e Marísia não foram mortos na cama, local onde foram encontrados.De acordo com a polícia, seria impossível atingir o topo da cabeça com tamanha violência em pessoas deitadas. Pela mancha de sangue na parede, os dois devem ter sido colocados de joelhos antes de receberem o golpe fatal.

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